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Capítulo 8: O velho misterioso

Battle Through the Heavens·Capítulo 8 de 11·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-08 18:09

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Xiao Yan deixou o salão com uma expressão de indiferença estudada, com a mente em outro lugar. Por costume, subiu devagar pela montanha atrás da propriedade do clã e, ao chegar ao topo, sentou-se sobre uma rocha, contemplando em silêncio os picos íngremes velados por névoa diante dele. Ali se erguiam as famosas Cadeias Montanhosas das Bestas Selvagens do Império Jia Ma.

"Eh, força…" Fez um gesto com os ombros, soltando uma risada amarga e zombeteira de si mesmo, carregada de pena e de raiva, que se deslizou lentamente pelo cume. "Neste mundo, um homem sem força não vale nem um monte de bosta de cachorro—e pelo menos ninguém ousa pisar nisso."

Enterrou os dedos no cabelo negro, e os dentes se cravaram com força no lábio inferior, deixando que o tênue sabor de sangue se espalhasse pela boca. Não havia deixado transparecer nada de impróprio no grande salão, mas cada uma das palavras de Nalan Yanran fora como uma faca abrindo caminho em seu coração, até todo o seu corpo tremer de dor.

"Não vou suportar essa humilhação uma segunda vez!" Abriu a mão esquerda, na qual ainda se via uma fina linha de sangue, e sua voz saiu rouca, embora resoluta.

"Ei, pequenino—parece que você precisa de uma mão, não é?"

Justo quando Xiao Yan selava esse voto dentro do coração, uma risada velha e estranha soou de repente em seus ouvidos.

Seu rosto se tensou. Ele girou em círculo, varrendo com o olhar afiado de falcão o terreno atrás de si—mas não encontrou nem sinal de ninguém.

"Éh éh. Não precisa procurar. Estou no seu dedo."

Justo quando Xiao Yan ia atribuir aquilo a um truque da mente, aquela risada peculiar voltou a flutuar no ar, como se viesse de lugar nenhum.

Suas pupilas se contraíram. Seu olhar disparou para a mão direita… para o antigo anel negro que usava. "Foi você que falou?" Ele suprimiu o terror que lhe subia por dentro e obrigou a voz a permanecer firme.

"Nada mal, pequenino—bons nervos, para não ter se atirado do penhasco de susto." Uma risada de zombaria brotou de dentro do anel.

"Quem é você? Por que está dentro do meu anel? O que você quer?" Após um momento de silêncio, Xiao Yan fez as perguntas-chave com clareza precisa.

"Não se preocupe com quem sou. Tudo o que você precisa saber é que não pretendo te fazer mal. Oh, depois de todos esses anos—finalmente tropecei em alguém cuja alma é forte o bastante para me alimentar. Que sorte! Embora devesse antes te agradecer, pequenino, pelas oferendas destes três anos. Sem elas, não sei por quanto tempo mais eu teria continuado dormindo."

"Oferendas?" Xiao Yan piscou, perplexo, e um instante depois seu jovem rosto se escureceu de repente, arrancando as amargas palavras de entre os dentes: "Então era você—meu Dou Qi, desaparecendo do meu corpo todo esse tempo?"

"Éh, não me restava alternativa, rapaz. Não me ponha a culpa."

"Que eu não te ponha a culpa? Ladrão podre! Você—!"

O rapaz que sempre se orgulhara de serenidade e autodomínio explodiu por completo como um louco, o rosto retorcido de fúria. Sem reparar que o anel era uma lembrança deixada por sua mãe, arrancou-o sem pensar do dedo e o arremessou com todas as forças por cima do íngreme penhasco.

No instante em que deixou a mão, sua mente se desanuviou de uma vez, e ele se lançou para agarrá-lo—mas o anel já havia desaparecido no abismo.

Aturdido, Xiao Yan ficou olhando o lugar onde o anel se perdera na névoa. Por um bom tempo permaneceu assim, pasmado, e depois seu rosto foi se acalmando aos poucos. Deu uma palmada na testa, aborrecido consigo mesmo. "Idiota! Impulsivo demais, impulsivo demais."

Ter levado três anos para descobrir que o verdadeiro culpado de sua humilhação era o anel que usava todos os dias—não era de admirar que tivesse perdido a cabeça daquela maneira.

Permaneceu um bom tempo sentado à beira do penhasco antes de balançar a cabeça, resignado, e se pôr de pé. Ao se virar, arregalou os olhos. Seu dedo, trêmulo, apontou para o que havia diante dele.

Flutuando no ar diante dele estava o anel negro e antiquíssimo. Mas o que de verdade o deixou boquiaberto foi a figura transparente de um velho que se cernia acima dele.

"Éh éh. Não é preciso tanta fúria, pequenino. A única coisa que fiz foi absorver três anos do seu Dou Qi." O velho translúcido observou Xiao Yan, de boca aberta de assombro, e sorriu de orelha a orelha.

O canto da boca de Xiao Yan se contorceu, a raiva contida na voz: "Velho desgraçado—se você ficou escondido no anel todo esse tempo, então deve saber quanto deboche o seu roubo me custou."

"Mas você não cresceu, por meio desses três anos de deboche?" O velho deu de ombros, sem se comprometer com nada, e disse com frieza: "Você acha que, há três anos, teria possuído a paciência e a agudeza de mente que tem agora?"

Xiao Yan franziu a testa, e seu ânimo foi se acalmando aos poucos. Uma vez consumida a fúria, o alívio veio em ondas logo atrás. Agora que conhecia o mistério do seu Dou Qi desaparecido, sem dúvida seu talento já havia voltado!

Só de pensar que poderia enfim se livrar do título de aleijado, sentia seu corpo renascido, leve como o ar. Até aquele velho insuportável diante dele deixava de parecer tão odioso.

Há coisas cujo valor verdadeiro só compreendemos quando as perdemos. Recuperar o que foi perdido o torna ainda mais precioso.

Xiao Yan esticou os pulsos, soltou um longo suspiro e ergueu a cabeça. "Não sei quem você é, diga o que disser. Mas deixe-me perguntar: você pretende continuar escondido nesse anel bebendo meu Dou Qi? Se esse é o seu plano, aconselho-o a procurar outro hospedeiro—não posso me dar ao luxo de sustentá-lo."

"Éh, mais ninguém tem uma alma tão afiada quanto a sua." O velho acariciou um fio de barba, sorrindo. "Já que escolhi me mostrar, naturalmente não voltarei a absorver seu Dou Qi sem a sua permissão."

Xiao Yan revirou os olhos e resfolegou com desdém, sem responder. Ele havia tomado uma decisão: por mais doces que fossem as palavras daquele velho demônio, o homem não ficaria ao seu lado.

"Pequenino, você quer ficar forte? Quer conquistar o respeito dos outros?" Embora já tivesse mentalmente riscado o velho como alguém com quem não se enroscar, o coração de Xiao Yan deu, mesmo assim, um solavanco involuntário diante daquelas palavras.

"Agora que sei por que meu Dou Qi desapareceu, com o meu talento, será que preciso de você para ficar forte?" Xiao Yan respirou fundo e respondeu com calma, pois sabia bem que não havia almoço grátis neste mundo. Aceitar um favor de um desconhecido, sem motivo algum, não era nenhuma decisão sábia.

"Ah, pequenino, o talento por si só está muito bem—mas você deve saber que já tem quinze anos, com apenas o terceiro grau de Dou Qi para mostrar. Pelo que ouvi, sua cerimônia de maioridade é no ano que vem, não é? Você acha mesmo que, em um único ano, poderia subir até o sétimo grau à força de mera prática, e nada mais? E depois tem aquela garota com quem você apostou há pouco—o talento dela não é nem um fio abaixo do seu. Quer alcançá-la e ultrapassá-la, diz? É mais fácil falar do que fazer." O rosto enrugado do velho se abriu como uma flor de triunfo.

"Se não fosse pelos seus roubos, será que ela teria conseguido me humilhar assim? Velho desgraçado imundo!" Pinçado em seu ponto mais sensível, o rosto de Xiao Yan voltou a se escurecer, e ele soltou uma praga entre dentes, cheio de fúria.

Uma vez consumida a borrasca de pragas, Xiao Yan voltou a se abater, vencido. Por mais que praguejasse, nada mudaria. No cultivo do Dou Qi, a base era tudo. Ele começara a treinar a Respiração aos quatro anos, e precisara de seis anos inteiros para alcançar o nono grau. Mesmo que seu talento tivesse voltado, subir até o sétimo grau em um único ano era quase impossível.

Com um suspiro desolado, Xiao Yan olhou de soslaio para o velho transparente, que se esforçava por parecer inescrutável, e algo clicou dentro dele. Franziu os lábios. "Você tem um método, não tem?"

"Talvez," respondeu o velho com uma risada vaga e traquina.

"Ajude-me a alcançar o sétimo grau de Dou Qi em um ano, e o que você me roubou nestes três anos—damos como liquidado. Fechado?" Xiao Yan sondou.

"Éh éh, que negociador astuto você é, pequenino."

"Se você não me serve de nada, para que carregar um parasita ao meu lado? Talvez o bom ancião devesse procurar para si algum outro infeliz para fazer o favor…" Zombou Xiao Yan. Naquela breve troca, ele havia entendido que aquele velho transparente não podia simplesmente devorar o Dou Qi de qualquer um.

"Você não parece em nada um rapaz de quinze anos. Estes três anos de verdade o temperaram. Calculo que isto seja o que colho pelo mal que venho semeando." O velho ficou perplexo diante do rapaz escorregadio, e então balançou a cabeça, a meio caminho entre a risada e o choro.

Xiao Yan abriu as mãos e disse com frieza: "Se você quer que eu continue te sustentando, vai ter que me dar alguma prova de boa-fé, não vai?"

"Bruxo de língua afiada, hein. Muito bem, muito bem—afinal, ainda há algo que este velho precisa de você." O velho assentiu, vencido, e se deixou cair no chão. Examinou Xiao Yan com o olhar algumas vezes, e um sorriso matreiro e furtivo cruzou seu rosto antes de se desvanecer. Após um instante de hesitação, como se aquilo lhe custasse um verdadeiro esforço, falou por fim. "Você gostaria de se tornar um alquimista?"

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