"Tempo? Lugar?" repetiu Xi Tieniu, com as sobrancelhas grossas franzidas e o rosto contraído em esforço.
A pergunta o havia pego desprevenido. Ele não considerara que qualquer detalhe além do prodígio de ter visto imortais pudesse ter importância, e agora, sob o olhar fixo de Han Li, compreendia que sua chance de ganhar méritos podia depender justamente de um fragmento de memória. Abaixou a cabeça, com o semblante feroz tenso de concentração, e começou a vasculhar a mente com visível empenho.
Passou-se um quarto de hora em silêncio. Sun Ergou permanecia ao lado, inquieto, sem ousar emitir som. Han Li esperava sem impaciência, tamborilando levemente com os dedos sobre o braço da cadeira, sem tirar os olhos de Xi Tieniu.
De repente, Xi Tieniu ergueu a cabeça de golpe.
"Lembrei!" gritou, com voz retumbante e transbordando alegria. "A imortal disse que, antes de ir ao grande encontro de imortais, queria que o imortal a acompanhasse primeiro a um lugar chamado Vale Tailan! Disse que lá havia outros imortais!"
"Vale Tailan?" repetiu Han Li em voz baixa, duas vezes, como saboreando o nome.
Vasculhou a memória e nada encontrou. O nome lhe era completamente desconhecido; nunca o ouvira na Cidade de Jiayuan nem nos caminhos de Lanzhou.
Seus olhos deslizaram para Sun Ergou. Se existisse algum lugar com esse nome nas redondezas, aquele réptil local saberia.
"Não existe tal lugar ao redor da Cidade de Jiayuan!" declarou Sun Ergou sem hesitar, sacudindo a cabeça com veemência de um lado para o outro. "Se houvesse um vale chamado Tailan, certamente eu me lembraria. Não há nenhum vale com esse nome."
A expressão de Han Li esfriou levemente e ele voltou o olhar para Xi Tieniu. Sua voz ganhou um fio de geada.
"Tem certeza de que se lembra corretamente?"
"Absolutamente!" jurou Xi Tieniu, erguendo a mão como se prestasse juramento diante do céu. "A mulher disse com toda a clareza! E acrescentou que, se se apressassem, poderiam encontrar-se com seus amigos no Vale Tailan em meia jornada de viagem!"
"Meia jornada..." murmurou Han Li, já calculando em sua mente.
Se fosse meia jornada a pé, o local ainda estaria nos arredores da Cidade de Jiayuan. Mas aqueles dois não viajavam a pé: cavalgavam bestas voadoras, montarias aladas que cortavam o céu. Meia jornada nessa velocidade abrangia um âmbito muito mais extenso, embora não ilimitado. Ainda assim, deveria estar dentro das fronteiras da província de Lanzhou. Isso, ao menos, podia deduzir.
Olhou novamente para os dois homens diante dele, suavizando um pouco o tom.
"Algum de vocês já ouviu, em algum ponto de Lanzhou, falar de um lugar chamado Vale Tailan, ou de qualquer lugar chamado Tailan?"
Sun Ergou e Xi Tieniu trocaram um olhar e, quase em uníssono, dispararam:
"Templo Tailan!"
"Montanha Tailan!"
Han Li piscou, começando a sentir uma leve dor de cabeça.
"Há dois lugares chamados Tailan?" perguntou.
"Não, jovem senhor, é apenas um!" apressou-se a explicar Sun Ergou.
"O Templo Tailan foi construído sobre a Montanha Tailan", acrescentou rapidamente Xi Tieniu, para não ficar atrás.
A compreensão surgiu. Os olhos de Han Li se iluminaram.
"Excelente. Então o Vale Tailan deve ficar ali."
Sun Ergou, no entanto, ainda mantinha a testa franzida, duvidoso.
"Mas jovem senhor, nunca ouvimos falar de nenhum Vale Tailan perto da Montanha Tailan. Não estaremos enganados?"
Han Li soltou uma risada breve, recobrando a confiança.
"Não estamos enganados. É esse lugar."
"Vocês dois não são cultivadores, portanto é natural que não o conheçam. Esse vale é provavelmente uma morada de cultivadores, oculta aos olhos mortais", pensou, com uma agitação de entusiasmo contida apesar da calma exterior.
Após um momento, formulou a pergunta mais prática de todas.
"Onde fica exatamente esta Montanha Tailan?"
"Jovem senhor, a Montanha Tailan fica no extremo mais ao sul de Lanzhou, a umas quarenta li a oeste da Cidade de Guanggui", respondeu Sun Ergou com deferência ensaiada.
"O sul de Lanzhou?" As sobrancelhas de Han Li se franziram.
Aquilo ficava precisamente na direção oposta à Montanha do Dominador, que se situava ao norte. Os dois destinos formavam uma perfeita divergência norte-sul, com a Cidade de Jiayuan presa no meio. Não haveria como visitar ambos com comodidade; teria de fazer viagens separadas, e muitos li adicionais seriam gastos no caminho.
Deixou o pensamento de lado por enquanto e fixou em Sun Ergou um olhar firme.
"Sun Ergou, quando retornar, nomeará Xi Tieniu vice-líder da Gangue das Quatro Pazes. Sei que não lhe agrada por completo, mas já que dei minha palavra a este homem, hei de honrá-la."
O rosto de Sun Ergou empalideceu. A lembrança da advertência anterior de Han Li — de que não hesitaria em substituir um líder desobediente — cruzou-lhe a mente, e um suor frio brotou em sua testa.
"Não ousaria! O que o jovem senhor disser, este humilde servo fará, sem uma única palavra de queixa!" gaguejou apressadamente.
Han Li o observou por um momento e depois suavizou o tom, como se se sentisse tranquilizado.
"Fique tranquilo. Se é leal ou não, guardo em meu coração. E não esqueço minhas promessas." Enfiou a mão na manga e tirou um pequeno frasco de remédio, estendendo-o a Sun Ergou. "Este frasco contém Pílulas de Desintoxicação que podem purgar por completo o veneno que ainda resta em seu corpo, libertando-o de qualquer ameaça futura. Isto também é o que lhe prometi antes. Trato mérito e falta por igual: não o enganarei."
As mãos de Sun Ergou tremeram ao aceitar o frasco. O veneno da Pílula de Coração Podre fora uma sombra constante sobre ele, roubando o sabor de suas refeições e a paz de seu sono. Ser libertado dele por completo o deixou quase dominado pela emoção.
"Obrigado, jovem senhor! Obrigado! Este ser insignificante o servirá com devoção absoluta, até a morte!" Suas palavras desta vez foram pronunciadas com fervor genuíno.
Han Li assentiu levemente, com gesto indecifrável.
Sua disposição em conceder uma cura completa não nascia de sentimentalismo. Fazer Sun Ergou engolir um antídoto a cada mês era tedioso, e Han Li estava prestes a deixar a Cidade de Jiayuan por um período prolongado. Era muito mais trabalhoso manter tal amarra à distância. Se no futuro qualquer um dos dois mostrasse sinais de traição, Han Li não sentiria escrúpulo algum em matá-los sem mais e elevar outro em seu lugar.
Além disso, sem necessidade imediata da Gangue das Quatro Pazes, Han Li agora a via como uma das três tocas do coelho astuto: uma rota de fuga, uma contingência a ser cultivada em silêncio.
Ele compreendia bem que não existia tal coisa como lealdade irracional neste mundo, nem traição irracional. Controlar homens apenas pela força e pelo medo era o método mais rápido, mas também o mais grosseiro — e o mais propenso a convidar uma faca pelas costas. Se desejava uma lealdade que perdurasse, precisava tanto de graça quanto de severidade em medida igual.
Ao curar Sun Ergou por completo, podia cimentar a gratidão do homem por longo tempo. Ao mesmo tempo, diante de Sun Ergou e Xi Tieniu, erigir-se-ia como um superior que cumpria sua palavra, alguém que recompensava o mérito sem falta e punia a falta sem misericórdia. Tal imagem era muito mais útil para o controle a longo prazo do que qualquer veneno mensal.
Tais eram os cálculos que passavam silenciosamente pela mente de Han Li.
Observou Sun Ergou despejar o remédio de desintoxicação na boca e engolir, e então falou novamente, com uma voz que de repente carregou um novo peso que deixou Sun Ergou ao mesmo tempo sobressaltado e eufórico.
"De agora em diante, deixarei Qu Hun aos seus cuidados por longo tempo. Mas está absolutamente proibido usá-lo para provocar problemas. Deve entender: embora Qu Hun seja formidável, este mundo esconde muitos especialistas extraordinários. Se o ostentar, poderá atrair calamidade fatal sobre si. Lembre-se bem disso."
"Sim! Este pequeno se lembra! Cuidarei excelentemente do Senhor Qu Hun, o jovem senhor pode ficar completamente tranquilo!" Sun Ergou assentiu como um pintinho bicando, sem parar de mover a cabeça.
Se não fosse porque Han Li já não precisava de Qu Hun ao seu lado para proteção — e porque a aparência conspicuamente desumana do homem atrairia atenção indesejada numa viagem longa — não o teria confiado a outro de forma alguma. Han Li suspirou para dentro e sacudiu levemente a cabeça, com relutância.
"Podem portar-se bem. Podem retirar-se. Não haverá necessidade de virem me ver nos próximos dias. Estou prestes a viajar para longe, e não sei quando retornarei", disse Han Li, agitando levemente a mão para despedi-los.
Sun Ergou e Xi Tieniu fizeram uma profunda reverência e retiraram-se do cômodo com passos reverentes. A porta fechou-se atrás deles, deixando Han Li sozinho na tranquila câmara, perdido em pensamentos.
"Que tipo de cultivadores habita neste Vale Tailan? Se eu os procurar, trarei alguma impropriedade? Encontrarei perigo?" Seus pensamentos vagaram, sem amarras, enquanto fitava a parede distante. Pouco a pouco, sua consciência deslizou para um estado distante, como em transe, como se seu espírito já tivesse voado para o sul, em direção àquele vale oculto...
O tempo fluiu veloz, como lançadeira no tear. Num piscar de olhos, passaram-se dois meses.
E na Cidade de Jiayuan, já não se podia encontrar vestígio algum de Han Li. Por um longuíssimo trecho de anos pela frente, sua figura não voltaria a aparecer ali.