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Capítulo 17: Despojos

The Endless Night·Capítulo 17 de 21·~6 min de leitura

Atualizado: 2026-08-01 19:49

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"Apenas uma Nova Vida..." Fu Entao recebeu o golpe como um punho no peito. Tivera sua Segunda Nova Vida por anos. Anos de acumulação, refinamento e crescimento — quebrados por um garoto que mal começara.

Agarrou sua lâmina com uma mão e arrancou a lança de ferro da coxa com a outra. O sangue seguiu num torrente. Suas pernas cederam, depois estabilizaram.

Shao Chengfeng estava pior. Um braço a menos, uma lança pelo estômago pregando-o à terra. Alcansou a haste com a mão que restava, viu a cabeça de Qin Ming girar, e a soltou.

"Toda a patrulha," sussurrou. "Aniquilada por um só homem." Sabia que não haveria piedade.

"Ele só teve uma Nova Vida. Como pode ser tão forte?" Feng Yi'an cuspiu sangue e riu — o som quebrado de um homem que apostara tudo e perdido.

Qin Ming falou. "Digam-me algo interessante."

"Sonhe." A voz de Fu Entao foi dura. Sabia que nenhuma súplica o salvaria.

Os outros dois não disseram nada. Lobos na vida, rogariam se funcionasse — mas não funcionaria, e sabiam.

"Fale-me do Bosque de Bambú Sangrento." Qin Ming caminhou até Shao Chengfeng.

O homem olhou para o céu. Olhos vazios. Já repasava sua vida — porque esta terminava.

"Sem resposta?" Qin Ming não desperdiçou fôlego. O cutelo caiu. Cabeça separada do corpo.

Os olhos de Shao Chengfeng ficaram abertos. Não esperava que fosse tão rápido — tão clínico.

Qin Ming viera resolver um problema, não torturar. Se não falassem, morriam. Observou os outros dois buscando rachaduras.

O rosto de Fu Entao se contraiu. Mas seus olhos endureceram. Agarrou a lâmina e deslocou os pés. Ia atacar de novo.

Um Segundo Renascido que dominara este território por anos não temia a morte. Forjara-se em sangue de montanha.

Feng Yi'an jazia pregado, incapaz de se levantar. Tremeu uma vez, depois ficou imóvel.

A nevasca rugiu. Fu Entao investiu — uma besta em pele humana, cada onça de força atrás de seu último golpe mais afiado.

Aço cantou. Chocaram-se. Fu Entao emergiu ofegando, braços tremendo, esvaziado de tudo. E o garoto ainda estava lá como se nada tivesse acontecido.

Outro intercâmbio. O cutelo tomou o braço direito de Fu Entao. A lâmina longa caiu na neve.

Pálido, cambaleando, o capitão caiu num joelho. Seu cabelo cacheado pendia molhado contra o rosto. O sangue encharcara metade do corpo e pintado a neve abaixo.

"Algo a dizer?" perguntou Qin Ming.

"Use minha própria lâmina. Faça rápido."

Qin Ming ergueu o cutelo. "Por que lhe concederia isso?"

"Quer me humilhar?" Fu Entao tentou se levantar.

"Não merece." Qin Ming passou de largo. A lâmina traçou uma linha no pescoço de Fu Entao. A cabeça rolou. O corpo dobrou.

Feng Yi'an jazia pálido no chão congelado, tentando ainda se arrancar da lança. Não conseguia. Qin Ming já estava sobre ele, um pé na cabeça.

"Algo a dizer?"

O punho de Feng Yi'an se fechou. Depois abriu. "Você busca criaturas espirituais? Não direi nada."

Qin Ming pressionou. O crânio rachou — uma fratura capilar que enviou agonia por cada nervo. O rosto de Feng Yi'an se contorceu.

O cutelo caiu. A cabeça de Feng Yi'an juntou-se às outras.

Quanto ao Bosque de Bambú Sangrento — o Velho Liu saberia. Na juventude, o velho percorrera as montanhas profundas com o velho capitão de patrulha. Conheceria cada fonte de fogo.

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A montanha caiu em silêncio. Vento e nada mais.

Qin Ming ficou parado. "Matei esta quantidade de pessoas. E minhas mãos não tremeram."

Pensou nisso. Não hesitara porque não os via como pessoas. Via-os como pragas da montanha — perigos para a vila. Vermin.

Começou a limpar.

Os corpos desceram a montanha. A floresta cuidaria do resto. Predadores, carniceiros — nada restaria. Nem ossos.

Velhos hábitos o impulsionaram. Revistou os mortos. Sob o brilho da fonte de fogo, seus dedos encontraram moedas — Prata Noturna. Redondas, com um buraco no centro. O sol ausente. Estas tinham muito mais poder de compra que cobre no mercado da vila.

Depois algo melhor. Ouro Diurno.

Dourado, inteiro, sem furo — com a forma do sol desaparecido. As pessoas o portavam como um desejo. A patrulha tinha onze peças entre todos. Uma fortuna para gente comum.

Qin Ming encontrara Ouro Diurno antes. Antes de sua doença, descobrira cadáveres perto de uma fissura na terra. Ouro Diurno — e um frasco de cristal de essência mineral, pequeno e precioso.

Nunca gastara o ouro. Conspícuo demais na Vila Olmo Prateado. Nunca usara a essência também. Seu corpo curara-se sozinho, a Nova Vida chegou sem catalisador. E não sabia o suficiente sobre essência mineral para desperdiçá-la cegamente.

Mais urgente: a tempestade prestes a explodir. Melhor ficar quieto. Um Renascido único não podia enfrentar uma patrulha — essa era sua história. Que se assentasse. Depois, se tivesse sua Segunda Nova Vida, ninguém questionaria.

Continhou buscando.

"Armadura fina. Lâminas temperadas. Tudo bom." Passou o equipamento pelas mãos. Enterraria em peças pela floresta — desenterraria quando precisasse para o Bosque de Bambú Sangrento.

Foi minucioso. Despojou cada corpo. Até revistou o Mastim Dourado. Ergueu-o, considerou cortar uma pata para um ensopado de cobre.

Estivera nas montanhas desde a meia-noite. Emboscada, batalha, limpeza — seu corpo funcionava com migalhas. A fome mordia.

Suspirou e soltou o cão. Não podia ficar. Limpar o campo e ir.

Numa cabana encontrou conforto: espessas almofadas de pele de besta, talheres de prata, uma faca de entalhe fina. Jarros de vinho que cheiravam melhor que qualquer coisa na adega esgotada de Xu Yueping.

Pouco de valor real — até que revistou a cabana desmoronada. Lá, sob os escombros, um manual de lâmina. Velho. Páginas de couro, gastas e curvadas nas bordas.

Fortemente anotado. Múltiplas mãos. Notas densas em tinta desbotada. As páginas carregavam o peso dos anos.

Reconheceu dentro as técnicas de Fu Entao. Mas o manual ia além — para a Luz Celestial, e mais fundo.

Fechou-o. Guardou-o. Isto valia mais que todo o Ouro Diurno combinado.

Terminou a varredura. Ondas douradas pulsaram em sua pele. Seus punhos e pés destroçaram as cabanas restantes. O vento pegou os destroços, misturou com a neve caindo, espalhou ladeira abaixo. A cena pareceria dano de tempestade.

"Pena pelo cutelo." Examinou o fio — lascado em uma dúzia de pontos. Bom ferro, mas não de qualidade de patrulha.

Encontrou uma pedra de amolar e pôs-se a trabalhar. Lixou as lascas, reafiou o fio. A lâmina saiu mais estreita que antes, mas afiada.

Levou os corpos ladeira abaixo e os deixou na mata profunda. Observou formas moverem-se no escuro — predadores arrastando os cadáveres. Quando verificou os quatro homens que matara no caminho, nem fragmentos de osso restavam.

Abriu seu esconderijo, tirou os farrapos ensanguentados e a armadura, e vestiu roupas limpas. O que podia queimar, queimou. O que não, enterrou — incluindo o Ouro Diurno e o manual de lâmina, selados na montanha.

Depois desapareceu entre as árvores.

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Retornou à vila arrastando um asno selvagem. Ninguém olhou duas vezes. O garoto gentil que trazia caça era o mesmo que destaçara sete homens horas antes.

Ferveu água — um luxo raro — e esfregou-se limpo. Vapor ergueu-se de seu corpo magro. Lavou-se com cuidado, apagando cada rastro de sangue e ferro.

Naquela noite, apareceu na porta de Lu Ze.

"Tio, que carne é esta?" Wen Rui chegou perto, olhos abertos.

Qin Ming ergueu o corte. "Comida boa. Dizem carne de dragão no céu, carne de burro no chão. Seu tio caçou um asno selvagem hoje."

Estivera pensando em cão de cobre desde o mastim. O asno teria que servir.

Risadas e calor encheram a pequena casa.

"Tio, o burro é delicioso!"

Junto à panela de cobre fumegante, Lu Ze — ainda se curando — falou. "Pequeno Qin, você construiu uma Fundação Dourada. Deveria pensar em sua Segunda Nova Vida."

Qin Ming assentiu. "Não se preocupe, irmão Lu. Sei o que faço."

Depois da refeição, foi para casa e deu voltas ao problema. Como perguntar ao Velho Liu sobre o Bosque de Bambú Sangrento sem levantar suspeitas.

Se pudesse avançar para a Segunda Nova Vida cedo, não esperaria. Queria entrar naquele bosque o mais rápido possível.

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