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Capítulo 22: A Colheita

The Endless Night·Capítulo 22 de 27·~6 min de leitura

Atualizado: 2026-08-04 00:25

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Qin Ming subiu a uma encosta em terreno alto, perto de onde havia escondido armas e armaduras, e se agachou atrás de uma árvore tão grossa que várias pessoas mal conseguiam abraçá-la com os braços.

O bando veio pelo Bosque de Bambú Sangrento, sem dúvida. Eram onze, ágeis, movendo-se como o vento. Em um instante estavam fora do vale.

Na breve onda de luz terrestre, Qin Ming conseguiu vê-los com clareza. Todos jovens robustos, cada um envolto em armadura reluzente, cada um segurando uma lâmina longa cujo corte frio furava a penumbra.

A coordenação deles era perfeita — em rápido avanço mantinham o passo; na boca do vale até as empunhaduras de espada coincidiam.

"Patrulha de montanha," identificou-os Qin Ming. Usavam a armadura padrão da patrulha, como Feng Yi'an e Shao Chengfeng. A diferença: estes vinham com espadas. Uma escolha deliberada — lâminas longas serviam para cobras, melhores que as lanças padrão.

A luz terrestre se apagou. Na penumbra da boca, o grupo deixou fardos de frascos e começou a misturar algo.

Gente com experiência, pensou Qin Ming. Talvez realmente pudessem acabar com este ninho.

Antes de muito, outra figura veio correndo pelo bosque. Recuperando o fôlego, disse: "Fu Entao, Feng Yi'an — nenhum está no posto. E o estranho: as cabanas da crista desapareceram."

Os presentes trocaram olhares de espanto. "Não estavam prestes a atacar o bosque? Onde andarão escondidos? Será que nem uma fera os acabou? Com os nobres da Cidade Chi Xia e as grandes organizações chegando, Fu Entao e os seus não vão pisar numa placa de ferro?"

O líder tinha verdadeira autoridade. "Esqueçam isso por ora. Eu teria hesitado em me infiltrar no território de Fu Entao, com medo de lutarmos até a morte. Uma ameaça oculta a menos é melhor."

"Até o céu está do nosso lado!" disse um patrulheiro.

O líder, Liu Huaishan, corpulento como um urso pardo, falou grave: "Repito — se algo der errado, dispersem-se, cada um salva a própria pele. Sem hesitar."

Os demais estavam aqui pela própria Segunda Nova Vida; Liu Huaishan, pela do filho mais velho. Ninguém mais arriscaria a vida.

Entraram em silêncio no vale e pararam. Conforme o combinado, Liu Huaishan, o mais forte, avançou sozinho.

Era um Segundo Renascido, firme e confiável. De longe acendeu o conteúdo de algumas jarras, erguendo fumaça amarela espessa, e arremessou tudo para a fonte de fogo. O resto levava pós e líquidos medicinais, lançados com precisão no tênue halo vermelho.

No instante em que terminou, recuou rápido, abrindo distância. Os patrulheiros, ansiosos, recuaram quase até a boca do vale.

Na fonte, fumaça densa se arremoinhava em meio a grande comoção. Primeiro uma dúzia de cobras pequenas, de vários pés, saíram disparadas e deslizaram por perto — sondando. Depois duas cobras grandes, de quatro metros, saltaram para fora, o corpo brilhando num vermelho intenso. Ao se cruzarem soaram como aço chocando, suas escamas forjadas em ouro vermelho.

Investiram para a boca a toda velocidade, até deixando o chão no meio da corrida, como lanças sangrentas partindo o ar, com um sibilar ameaçador. Estavam furiosas.

Os patrulheiros quiseram xingar. Duas cobras grandes? Isso excedia toda expectativa.

Liu Huaishan rugiu: "Vão! Pó de cobra e fumaça irritante não servem contra estas!"

Não precisava lembrar. Homens de montanha experientes reconheciam uma causa perdida e fugiam.

Liu Huaishan, Segundo Renascido, era o mais rápido. Embora tivesse partido do fim, suas pernas poderosas logo passavam de vários homens.

Uma cobra grande o perseguiu um trecho, parou numa rocha cinza grande e se lançou num estouro súbito — uma rajada de vermelho cru, voando com um quê de trovão.

Crack!

O último patrulheiro foi atingido como por uma lança sangrenta de quatro metros. Duas camadas de armadura viraram estilhaços; a cabeça da cobra, dura como ouro refinado, atravessou de um golpe.

Era veterano, bem preparado. Na parte baixa das costas levava uma placa grossa de ferro que no momento crítico conteve a cobra. Mas a placa amolgou, a força tão grande que ele perdeu o equilíbrio e caiu na neve.

A Cobra Sangue de quatro metros golpeou como um raio e se enrolou no corpo dele. Nenhuma cobra comum — nem maior e mais grossa — conseguiria prender um Renascido. Mas esse patrulheiro gritava.

A Cobra Sangue apertou com fúria, escamas soando; a armadura do homem estourou num lampejo, osso após osso se quebrando. Ela mordeu o rosto dele — e a carne ali se dissolveu.

Ele morreu na hora.

Naquele breve trecho, a Cobra Sangue mostrara todo o seu horror: um corpo duro como ferro, força monstruosa, voo breve como flecha de ferro e um veneno sem remédio. Qualquer uma era letal.

A outra cobra grande já saltara do vale para o bosque. Um segundo patrulheiro foi pego; dali veio um grito rouco.

Quando um quarto homem foi pego, Liu Huaishan apareceu do nada, ambas as mãos numa lâmina longa e afiada, desferindo um golpe na serpente.

O corte de força total de um Segundo Renascido. A lâmina branca como a neve passou; parte das escamas vermelho-ouro se rompeu, fendida por aquele golpe aterrador — uma ferida, não muito profunda, vertendo sangue.

Aterrador, isso. Qualquer outra criatura de segunda variante, ou um humano de Segunda Nova Vida, teria sido partido em dois. Liu Huaishan continuou golpeando, mas nunca acertou no mesmo lugar; a cobra esquivava, apenas recebendo feridas novas.

Ferida pela dor, soltou o moribundo e se arremessou sobre ele num frenesi. Seu sibilar chamou a outra cobra grande de perto.

Liu Huaishan suspirou. Abandonando a serpente ferida, mergulhou no bosque sem olhar para trás. Pegara a melhor abertura e não abatera nada. Não teve alternativa senão fugir.

As duas cobras grandes não soltaram e o perseguiram juntas. Mas a ferida foi ficando mais lenta; as feridas abertas a incomodavam no ermo gelado. Ela parou, sibilou e se deslizou de volta para o vale.

Qin Ming usava quatro camadas de armadura e, desta vez, cobrira o rosto também, só os olhos aparecendo. Estava na encosta junto à boca, esperando em silêncio.

Diante dele, na neve, erguiam-se várias lanças de ferro cravadas e uma lâmina longa. O martelo negro-ouro de cabo longo levava nas costas.

Num momento viu voltar uma Cobra Sangue de quatro metros, já ferida — três zonas sem escamas. Ainda brilhava num vermelho limpo, mas estava claramente abatida, mais lenta que antes.

Ao se aproximar do vale, Qin Ming arrancou uma lança do chão, inspirou e a arremessou na cobra com tudo. Depois uma segunda, arrancada da neve...

A Cobra Sangue ficou totalmente furiosa. As lanças vinham em velocidade apavorante; duas quebraram mais de suas escamas, rasgando feridas mais graves que os cortes de espada.

Subiu numa árvore alta e depois se lançou num borrão — uma rajada deslumbrante de vermelho partindo a escuridão, mergulhando em picada para atravessar carne.

Qin Ming pensara em sacar a espada, mas mudou de ideia. Empunhou o martelo negro-ouro e o desferiu para encontrar a cabeça.

A Cobra Sangue se disparou como um arco-íris que atravessa o sol. Mas não atingiu carne — colidiu com o pesado martelo.

Dong. Um rangido metálico, faíscas voando. A cobra de quatro metros se estatelou, o corpo ereto se enrolando, vergastando a neve.

Para qualquer cobra pequena Qin Ming não teria usado o martelo — eram escorregadias, ruins para esmagar. Mas uma cobra grande mergulhando assim, com força pasmosa — ele não seria um tolo para recusar.

A serpente vermelha recebeu um golpe mortal. A cabeça esmagada, afundada, osso quebrado — mas não morrera.

Qin Ming agarrou a lâmina longa e avançou, desferindo seus cortes mais fortes. Numa tempestade de choques — ktang, ktang — as escamas vermelhas se soltaram, e uma cabeça de cobra foi separada.

"Essas são as 'provisões' que podem me levar logo a uma Segunda Nova Vida." Uma pontada de emoção. Abater uma criatura espiritual assim.

"Chhh — chhh!"

Perto da boca se agachavam várias Cobras Sangue pequenas, de três a sete pés. Todas deslizaram; algumas saltaram ao ar, disparando-se como flechas de ferro.

Qin Ming varreu a lâmina afiada uma e outra vez. Força total, um corte por presa — seis cadáveres a mais se juntaram à neve.

Ele retirou uma bolsa de couro e começou a recolher seus espólios.

De repente, um alerta formigou em sua mente. Ele se desviou rápido; uma flecha de ferro se cravou em velocidade aterradora, sumindo no ponto que acabara de deixar. Duas a mais rasparam sua armadura, soltando faíscas, antes de se espatifar numa árvore próxima.

Qin Ming ficou de lâmina na mão, encarando as figuras próximas. "As pessoas realmente diferem. Ambos esperamos aqui — eu abato cobras, enquanto vocês abatem pessoas."

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