Yuan Wuji liderou o grupo mais profundo nas regiões internas da tumba. Suas mãos se moviam em selos precisos, dissolvendo as restrições remanescentes com facilidade praticada. A Anciã Matriarca e a Dama Yuan o flanqueavam, assistindo onde podiam. Seu cultivo não estava no nível dele, mas seu conhecimento das técnicas da família Yuan provou-se útil contra as armadilhas antigas.
Yuan Qi dormitava sobre o ombro de Su Yan, seu corpo massivo de serpente ocasionalmente se contorcendo em seu sono. A batalha com o homem dourado o havia exaurido. Tesouros demais digeridos, energia demais gasta.
O Grande Sino escondia-se dentro da barriga de Yuan Qi, sorvendo silenciosamente o qi e sangue da serpente para reparar sua superfície amassada. Tinha levado uma surra: primeiro contra os punhos do homem dourado, depois contra a ponte divina, então deslizando sobre o Lago de Jade e através das Doze Torres. O ego do sino estava tão machucado quanto seu bronze.
Zhu Chanchan vagueava por perto, seus olhos escaneando os escombros em busca de algo digno de colecionar. Seu Pico Voador havia pousado em algum lugar desta área, e ela o queria desesperadamente de volta. Seis mil anos de instinto de forja de tesouros não desaparecem só porque ela assumiu uma nova forma.
Su Yan e Veyon sentaram-se de pernas cruzadas na cabeça de Yuan Qi, um de frente para o outro.
Eles haviam concordado em tentar o sentimento celestial-humano. A técnica era perigosa, especialmente aqui, na tumba do Primeiro Imperador, onde poderes antigos dormiam e o limite entre mundos ficava tênue. Mas a recompensa potencial valia o risco.
Se pudessem vislumbrar Weixu, o abismo que devorava mentes iluminadas, poderiam finalmente entender o que havia acontecido ao antigo caminho de cultivo.
Su Yan ativou os Oito Tons Yuan. As vibrações ressoaram através de seu corpo, iluminando cada ponto de acupuntura como estrelas aparecendo em um céu noturno. Ele os conectou aos céus acima, forjando vínculos entre sua carne e a ordem cósmica.
Veyon fez o mesmo, mas sua técnica era mais refinada. Ela havia treinado por meses, aperfeiçoando seu método. Deuses guardavam seus pontos de acupuntura, sentinelas divinas protegendo-a do puxão do abismo.
Sua respiração se sincronizou. Seus batimentos se alinharam.
O mundo ao redor deles começou a desvanecer.
* * *
Su Yan sentiu-se expandindo. Sua consciência se esticou para fora, passando através do teto da tumba, através da montanha acima, através das nuvens e para o vazio.
Estrelas giravam ao seu redor, não as estrelas do céu noturno, mas algo mais antigo. Algo que existia antes de os céus serem selados.
Ele viu fios. Incontáveis fios conectando cada ser vivo a uma tapeçaria vasta e incompreensível. Alguns fios eram brilhantes e fortes. Outros se desfiavam, dissolvendo-se em nada.
A presença de Veyon flutuava ao seu lado, um farol de luz prateada na escuridão.
"Lá", sussurrou, embora não tivessem bocas aqui. "Pode sentir?"
Su Yan seguiu seu olhar. À distância, a tapeçaria terminava. Os fios não se conectavam a nada, simplesmente caíam em uma ausência tão completa que doía olhar.
Weixu.
O abismo não estava vazio. Algo se movia nele. Algo vasto e faminto, agitando-se na borda da percepção.
Su Yan quis recuar. Cada instinto gritava para ele retirar-se. Mas sua curiosidade, sua obstinada e imprudente curiosidade, o empurrou mais perto.
Estendeu um fio de sua própria consciência em direção ao abismo.
No momento em que tocou a borda, tudo mudou.
O céu da tumba inclinou-se.
* * *
De volta ao mundo físico, ninguém notou no início.
Yuan Wuji estava concentrado em um selo particularmente complexo, seus dedos traçando padrões no ar. A Anciã Matriarca observava sua técnica com olhos agudos, memorizando cada movimento. A Dama Yuan montava guarda, seu sentido do espírito estendido para avisar de perigos próximos.
Zhu Chanchan encontrou um fragmento da armadura do homem dourado meio enterrado em escombros. Ela o desprendeu, seus olhos se iluminando com a qualidade do material. "Isso faria excelente material de forja..."
Então Yuan Qi se agitou. Seu corpo de serpente tensou, escamas se eriçando. "Algo está errado."
O Grande Sino emergiu de sua barriga, girando no lugar. "O quê? O que está acontecendo?"
Yuan Qi levantou sua cabeça massiva, língua aleteando. "O céu... está se movendo."
Todos olharam para cima.
O teto da caverna, o céu falso do mundo interior da tumba, estava inclinando-se. Não colapsando. Inclinando-se. Como se todo o espaço fosse uma pintura em tela sendo puxada por um canto.
As estrelas pintadas no teto se deslocaram. As nuvens se moveram de lado. Até os sete arco-íris de ascensão à distância se dobraram em um ângulo antinatural.
"O Imortal Imortal!" ofegou a Dama Yuan.
Yuan Wuji virou-se, sua expressão inescrutável. Olhou para Su Yan e Veyon, ainda sentados em meditação, seus rostos serenos, inconscientes do caos ao redor.
"Sentimento celestial-humano", disse suavemente. "Eles alcançaram longe demais."
Zhu Chanchan deixou cair o fragmento de armadura e correu ao lado de Su Yan. Ela sacudiu seu ombro. "A-Yan! Acorda!"
Su Yan não respondeu. Seus olhos estavam fechados, sua respiração estável. Mas seu rosto ficara pálido, e uma fina linha de sangue gotejava de seu nariz.
Veyon estava pior. Suas mãos tremiam em seu colo. Seus lábios se moviam, formando palavras silenciosas. Lágrimas escorriam por seu rosto.
"Tirem-nos!" gritou o Grande Sino. "Antes que caiam!"
Zhu Chanchan agarrou o braço de Su Yan e puxou. Nada. Era como puxar uma montanha.
Yuan Wuji apareceu ao lado dela. Ele pressionou dois dedos contra a testa de Su Yan, canalizando uma explosão de força pura do espírito da Corte Amarela.
Os olhos de Su Yan se abriram de repente.
Ele ofegou, sugando ar como um homem afogado rompendo a superfície. Suas mãos agarraram seu peito, unhas cavando na carne.
"A-Yan!" Zhu Chanchan o segurou firme. "O que você viu?"
A voz de Su Yan estava rouca, mal um sussurro. "Não está vazio. O abismo... algo vive lá. Algo antigo. E está acordando."
Veyon se agitou ao lado dele, seus olhos pestanejando abertos. Ela olhou para Su Yan, sua expressão vazia. "Eu também vi. Ele nos viu de volta."
O céu continuou inclinando-se.
Yuan Wuji olhou para a distorção, seu rosto grave. "Precisamos ir embora. Agora. O que quer que tenham tocado, sabe que estamos aqui. E está vindo."
Das profundezas da tumba, onde jazia o caixão dourado, um som ressoou. Não um batimento desta vez. Algo mais. Um arranhar. Um arrastar. O som de algo maciço se movendo no escuro.
O Primeiro Imperador não era a única coisa que havia dormido aqui por quatro mil anos.
E agora, graças a dois jovens cultivadores imprudentes que alcançaram longe demais, algo mais também estava se agitando.