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Capítulo 8: O Caixão no Poço, o Deus Fora do Templo

Ascension Day·Capítulo 8 de 22·~7 min de leitura

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Huang Siping, Wei Chu e Yuan Qi viram Su Yan paralisar-se junto ao poço, seus olhos cravados no fundo. Eles se inclinaram para olhar.

Homem, deus e yao encontraram o olhar daquele olho colossal. Seus próprios olhos ficaram vidrados. Não conseguiam desviar o olhar.

A campana trovejou. O som quebrou o transe.

Su Yan ofegou. Sangue cobria suas mãos. Ele agarrou correntes grossas de ferro, puxando com toda sua força. Yuan Qi não tinha mãos, então sua cauda se enrolou ao redor das correntes, arrastando-as para cima.

As correntes já haviam subido dezenas de jardas. As seções inferiores goteavam sangue negro, federam como carne podre. Ossos humanos grudavam nos elos.

O horror os invadiu. Nenhuma memória do feitiço do olho. Nenhuma ideia de quanto tempo haviam puxado. Nenhuma pista do que as correntes ancoravam abaixo.

As correntes ficaram mais pesadas. Algo massivo grudava na outra ponta.

O olho desapareceu do poço. Sangue borbulhou, espesso e escuro, espumando em direção à superfície.

Um suspiro suave flutuou para cima. A voz de uma mulher, dolorosamente bela, lamentando alguma tragédia particular.

Quanto mais bonito o som, mais sua pele arrepiava.

Su Yan olhou para baixo. O sangue recuou. As correntes seguravam um caixão, afundando reto pela parede do poço.

O caixão bateu no fundo.

Uma boca triangular cheia de dentes agulha se abriu por baixo. A criatura engoliu o caixão por completo. As correntes pendiam de seu focinho como bigodes.

O coração de Su Yan martelava. A criatura se moveu diretamente abaixo do centro do poço e abriu a boca novamente.

Ele agarrou a cauda de Yuan Qi e correu.

Huang Siping e Wei Chu não entenderam — até que um rugido irrompeu do poço. A onda de choque os atingiu. Sangue jorrou de seus olhos, ouvidos, narizes, bocas.

A criatura falhou em empurrar o caixão para cima. Sua fúria sacudiu a montanha. Até a campana de bronze balançou como uma folha numa tempestade.

Su Yan e Yuan Qi haviam escapado da primeira explosão, mas as reverberações os pegaram e os arremessaram pelo pátio.

Lá fora, o Rio da Morte enlouqueceu. A água subiu mais, e algo enorme se agitava dentro, martelando a barreira em forma de campana por fora.

Por dentro e por fora, os ataques convergiram. A campana de bronze escureceu. As paredes protetoras de luz afinaram.

Su Yan arrastou seu companheiro inconsciente em direção à sala principal, cada músculo gritando. Sangue transudava de seus poros, manchando suas roupas.

Ele tropeçou para dentro da grande sala e desabou. O rugido diminuiu o suficiente para deixá-lo respirar.

Um relâmpago de luz fria cortou o céu. Alguma arma impossivelmente enorme fatiou a barreira em forma de campana, abrindo uma brecha bem larga.

A água do rio despejou-se por ela.

Su Yan se forçou a levantar. Lá fora, figuras imponentes pairavam ao redor da barreira, nem humanas nem deuses, empunhando armas do tamanho de torres. Eles golpeavam a luz, abrindo mais feridas.

Eles pareciam verdadeiros seres celestiais. Não grass-head gods. Não yao deities. Olhar para eles enchia a mente de compulsões para ajoelhar.

Uma mão pálida alcançou a brecha na barreira, cada dedo esticando-se vários jardas de comprimento. Ela passou sobre a sala principal.

Su Yan se abalou para trás. A mão mergulhou no pavilhão e agarrou a campana de bronze, tentando arrancá-la.

A campana tocou. A mão estilhaçou-se. Fragmentos sangrentos choveram. Um dedo se estatelou contra o telhado da sala principal e se cravou na porta do templo.

Símbolos estranhos ardiam na madeira podre, retorcendo-se como insetos, queimando com um poder impossível. O dedo se incendiou.

Su Yan encarou a porta em choque. Então um chicote estalou por cima, se enrolou em volta do cabo da campana, e puxou. O pavilhão se despedaçou. A campana voou do poço.

O rugido de baixo intensificou-se.

Su Yan olhou para cima. Os segmentos do chicote eram rostos humanos, olhos fechados, expressões severas, cada um diferente. A estranha arma carregou a campana através da sala principal como um dragão voador.

Mais fitas de seda branca dispararam do rio e mergulharam no poço.

A mente de Su Yan acelerou. "Isso não foi um acidente. Alguém fez o Rio da Morte mudar de curso. Eles planejaram mass death para suprimir a campana do templo e libertar o que quer que esteja naquele caixão."

A campana tocou em fúria, estilhaçando o chicote de rostos, e disparou para fora do templo.

Lá fora, o rugido do rio e os tons da campana se fundiram em caos.

Su Yan olhou para cima. Sombras se aglomeravam na barreira. A cabeça de uma figura celeste explodiu, pulverizada pela campana. Outra se retorceu, flesh derretendo de seus bones, então se desfazendo em pó.

Ele observou, coração martelando. Esses seres pareciam tão vastos quanto montanhas, tão profundos quanto abismos. Contudo, a campana os destruía tão facilmente quanto esmagar formigas.

A água inundou a sala por todas as direções. Su Yan carregou Yuan Qi e pulou através de um buraco no telhado.

Abaixo, no pátio de trás, Huang Siping estava em pé sobre sua lâmina de aço, a arma cravada no chão. O rio lambia seus pés. Sangue jorrava de cada orifício. O desespero retorcia seu rosto divino.

Ele e Wei Chu haviam reagido lentamente demais ao rugido do poço. Quando se recuperaram, o rio já os havia aprisionado fora da sala principal.

A água tocou seu pé esquerdo. A flesh dissolveu-se instantaneamente, deixando bone branco.

O rio subia por sua perna. A submersão total não demoraria muito.

Num salgueiro morto, Wei Chu não ia melhor. O tronco podrido mal o sustentava. Ele também havia sacrificado uma perna. Mas a árvore balançava, raízes se soltando. Quando caísse, o rio o levaria.

Pior, ele estava mais baixo que Huang Siping. Mesmo que a árvore aguentasse, ele morreria primeiro.

Os olhos de Su Yan encontraram o poço. Fitas de seda branca envolviam as correntes, puxando para cima. Um caixão negro emergia das profundezas, alcançando a boca do poço.

"Eles estão conseguindo," pensou Su Yan. "A campana foi atraída para longe. O caixão está livre."

Então a luz do sol tocou seu rosto.

Ele olhou para o leste. O sol surgiu no horizonte. O Rio da Morte se diluiu. A enchente furiosa desvaneceu-se, fantasmagórica e translúcida, então desapareceu por completo.

Su Yan encarou o leito do rio distante. Este também desvaneceu-se, deixando apenas terra queimada e árvores mortas num canal seco.

Ossos jaziam empilhados na margem.

"A campana? Os gigantes?"

Ele procurou no céu vazio. A campana de bronze havia desaparecido. Os atacantes celestiais se haviam esvanecido sem rastro.

O pátio de trás não tinha uma gota de água. Até a fogueira queimava num laranja normal novamente.

Su Yan se firmou. O pavilhão havia desabado. O poço jazia em silêncio.

Uma garota de branco estava sentada na borda do poço, de costas para ele, penteando cabelo comprido com movimentos lentos.

Ela se virou. Seus olhos encontraram os dele. Ela sorriu, e por um momento perfeito, o mundo pareceu gentil.

A luz do sol tocou o pátio. A garota desapareceu. Só restava o caixão, de pé ao lado do poço, correntes espalhadas por perto.

Então o caixão se elevou, rompeu suas correntes, e disparou para o céu, desaparecido.

"O que quer que estivesse selado lá embaixo está livre agora."

Su Yan lembrou-se de seu rosto. "Linda. Pai e Avô teriam adorado uma nora como ela. Pena que é um fantasma."

Um baque ecoou atrás dele. Wei Chu havia caído do salgueiro, inconsciente. Sua perna direita não era mais que osso.

Huang Siping pulou de sua lâmina, cambaleando. Sua canela esquerda também estava reduzida ao osso. O rosto do yao god permaneceu duro. Não fez nenhum som contra aquela agonia.

Su Yan encarou o sol nascente. Ele ciclova seu Grand Unity Daoyin Art. Partículas douradas de luz giravam no ar, atraídas por sua respiração como uma tempestade em miniatura. Trovões rolavam dentro de seu corpo. Seu qi and blood ardiam como um pequeno sol, queimando as feridas da noite.

A crise do rio havia passado. Agora o perigo real retornava.

Huang Siping aspirou longamente. Ele também começou a circular seu próprio arte de respiração, reunindo essence of the sun. Suas feridas eram muito piores, e ele havia perdido uma perna. Mas era um yao king. Seu qi and blood permaneciam formidáveis. Se se estabilizasse, poderia golpear como um raio e matar Su Yan primeiro.

Ambos permaneceram em silêncio, curando, competindo para recuperar força suficiente para golpear primeiro.

"Você poderia ter fugido, Su Yan." A voz de Huang Siping permaneceu nivelada. "Você é rápido. Esquivou-se do rugido do poço, feriu-se levemente. Perdi uma perna. Você poderia ter escapado."

Su Yan encarou o sol. A tempestade de partículas de luz ao seu redor intensificou-se. Ele se erguia como uma montanha sobre um abismo, imóvel.

"Um amigo jaz inconsciente. Como eu poderia abandoná-lo?"

Os olhos de Huang Siping estreitaram-se. Seu aperto apertou na lâmina. "Amigo? Você chama um snake yao de amigo? Esqueceu — você é um snake catcher. Cobras e catchers são inimigos naturais. Yao mataram os seus. Você matou os deles."

"Isso não nos impede de sermos amigos."

Su Yan rugiu. Seu pé se estatelou no chão. Ele caiu do telhado para a sala de trás, arrebentando o assoalho. Qi and blood inundaram seu corpo. Uma aura de batalha em forma de elefante coalesceu atrás dele. Ele carregou um pilar de cobre sobre o ombro e brandiu a arma de mil libras contra Huang Siping.

Esta luta tinha que acabar rápido. Matar o yao god, carregar Yuan Qi, e correr antes que mais inimigos chegassem.

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