Ao lado do Pavilhão das Três Fragrâncias que florescia nas grandes cidades dos reinos poderosos, esta filial da Cidade de Fenglin mal mereceria uma menção. Mas ninguém que pusera os olhos em Miaoyu falaria assim.
Havia, por exemplo, Fang Zehou — um dos cabeças atuais do clã Fang, pai de Fang Heling, tio de Fang Pengju. Havia viajado o norte e o sul e visto muito do mundo, e abrira sozinho a rota comercial ao Reino Yun. Quanto a capacidade e renome, era criado em silêncio como o próximo patriarca do clã. Pois bem, até um homem como ele suspirava e se consumia pela dama Miaoyu. Toda vez que voltava de alguma viagem de mercador, a primeira coisa que fazia era vir se esbaldar no Pavilhão das Três Fragrâncias.
Tais histórias eram demasiadas para contar. Fang Zehou não era nem o primeiro grande homem a cair diante das saias de Miaoyu, nem seria o último.
E Zhao Rucheng, aficionado por flores e jogos como era, contava-se entre essa companhia. Desde o momento em que ouviu da célebre beleza de Miaoyu, atirou ouro como água e quase se instalou de forma permanente no Pavilhão das Três Fragrâncias, com toda a aparência de quem não descansaria até conquistá-la.
"—Não pode existir tal possibilidade." Zhao Rucheng disse com grande calma. "—A mulher capaz de resistir a me ver ainda não nasceu."
Acrescentou para si mesmo que Jiang An'an, é claro, não contava como mulher — era só uma pirralha.
Miaoyu inclinou a cabeça, como a concordar. "—Na verdade, a aparência do Mestre Zhao não tem par, e seus gastos são de primeira classe. Seu poder não é pouca coisa, sua família está bem situada e suas perspectivas são ilimitadas. Seu coração é de cristal diáfano, seus lábios destilam mel: qual mulher poderia resistir a você?"
"—Mas." Disse a palavra, e de repente uma queixa se lhe cristalizou nas sobrancelhas, daquelas que se anseia alisar. "—Mas você não me ama o bastante..."
Como se as afeições de Zhao Rucheng, faltas de uma medida verdadeira e sincera, lhe doessem no coração.
"—He, he, he..."
Uma risada das mais vulgares, das mais abruptas, quebrou o ar da sala.
Era Huang Azhan, que acordara em algum momento mas ainda não sacudira o licor. Naquele instante tinha o queixo apoiado na mão, contemplando a dama Miaoyu com um sorriso fátuo. "—He, he, he..."
Não precisava perguntar no que estava pensando.
Jiang Wang cobriu o rosto e não disse nada. Reconhecera Miaoyu como a mulher de vermelho com quem esbarrara antes, mas num tal cenário tinha pouco direito de falar.
Du Yehu sentiu o impulso de arrastar Huang Azhan para fora e matá-lo, para se livrar de tamanha vergonha compartilhada, e ponderou a sério se valia a pena carregar um assassinato antes de se alistar.
"—O que quer dizer com 'não o bastante'?" Só Zhao Rucheng se recusava a perder a compostura diante dos outros, o semblante intacto, como se jamais tivesse conhecido Huang Azhan — a viva imagem do veterano galanteador. "—Nunca persegui uma mulher por tanto tempo. Desde que pus os olhos na dama Miaoyu, passei mais tempo no Pavilhão das Três Fragrâncias do que na Academia Dao da cidade. Meu afeto transborda — em breve inundará esta mesma sala."
Levantou-se do assento e se deslizou com graça em direção a Miaoyu.
"—Aqui." Pôs uma mão sobre o coração.
Não havia como negar — ante tamanha vista, tamanha figura galharda, até a madame, que aguentara inúmeras tempestades em sua vida, sentiu os olhos se embaralharem, e mal pôde conter um bater do coração.
Mas Miaoyu o deteve com uma única frase:
"—Você não me ama de verdade. Você estava apenas entediado."
O sorriso encantador congelou no rosto de Zhao Rucheng. Freado o passo, ele não avançou mais.
"—Então agora já não a amo." disse. "—Desgosto de mulheres inteligentes demais."
Jiang Wang sempre soubera que Zhao Rucheng era um homem que abominava encrencas e pouco ligava para nada. Parecia não ter nada em estima; deixar-se levar pela corrente era o lema de sua vida.
Atirava riqueza como terra e deixava seu tempo se desperdiçar. Desperdiçava o talento assim como desperdiçava o dinheiro. Mas isso era assunto seu, e ninguém tinha o direito de se intrometer.
Por isso Jiang Wang podia desculpar os amores e desamores leves demais que saltavam da língua de Zhao Rucheng.
Embora, pensando bem, falar de amor e desamor numa casa de prazer fosse em si um discurso cômico.
"—Vamos embora, então — para casa. Ainda tenho que fazer o jantar para An'an." Jiang Wang se levantou e disse.
"—Terceiro Irmão." Zhao Rucheng olhou para ele com total sinceridade. "—Poderíamos levar alguns pratos para casa? Por favor, não cozinhe."
Huang Azhan, que estava sendo arrastado por Du Yehu, assentiu com gravidade, o rosto cheio de pavor. "—An'an ainda é uma criança."
"—..." O rosto de Jiang Wang escureceu. "—Vamos ou não?"
"—Vamos, vamos."
Du Yehu pôs no ombro o frágil e risonho Huang Azhan, e toda a comitiva se dispersou numa azáfama.
Miaoyu os viu partir com um sorriso, sem dizer nada.
Mas seus dedos deram uma volta sobre si mesmos, e sem que ninguém percebesse, uma pequena bolinha branca que havia muito preparara caiu em silêncio nas costas de Jiang Wang.
E afundou nele.
...
Du Yehu levou seu companheiro de bebedeira; o jovem Mestre Zhao voltou para casa descansar, como era natural; e Jiang Wang foi sozinho ao dormitório da Academia Dao buscar An'an.
Quando apanhou Jiang An'an, ela estava visivelmente abatida, as bochechas inchadas — Deus sabe que agravo a pusera a remoer.
"—O que foi, minha pequena An'an?" Jiang Wang perguntou com um sorriso alegre e amável.
"—Nada." disse Jiang An'an, fazendo beicinho.
"—Ainda bem." Jiang Wang fez um gesto. "—Vamos para casa."
"—..." Jiang An'an ficou atônita. Será que ele não ia mesmo perguntar mais uma vez, oferecer mais algumas palavras de preocupação?
Ling He, por sua vez, não fez esforço algum para retê-los, apenas ergueu a mão. "—Adeus, An'an."
Jiang Wang entendeu. Este irmão mais velho provavelmente ansiava cultivar desde muito, contido apenas pela necessidade de cuidar de Jiang An'an. Seu talento não era dos mais altos, mas sua diligência não tinha par.
"—Adeus, Irmão Ling He." Jiang An'an, embora nada alegre, tinha seus modos.
"—A propósito." Antes de partir, Jiang Wang disse, como se a ideia acabasse de lhe cruzar a mente: "—Nós quatro transferimos nosso Mérito Dao para você. Juntando tudo, você não deve estar longe de uma Pílula de Abertura de Meridianos. Empurre um pouco, e vá trocá-la logo."
Ling He ficou em silêncio por um momento antes de responder: "—Deveria antes ir para Rucheng. Ele é o mais novo e o mais dotado — não deveria desperdiçá-la."
"—Ele não tem interesse." Jiang Wang tratou logo de esclarecer o assunto. "—E o Irmão Tigre pretende se juntar à Armadura Profunda de Jiujiang, tomando o velho caminho da Escola da Guerra de abrir seus meridianos com sangue e qi."
Ling He não fez mais objeções, apenas disse: "—Bem."
Ele entendia que a falta de interesse de Zhao Rucheng era uma falta de interesse verdadeira, e que a resolução de Du Yehu estava além da lembrança de qualquer homem. Podia fazer pouco; o mais que podia fazer agora era procurar que aquele Mérito Dao, aqueles laços de irmandade, não se desperdiçassem.
"—Para casa, então." Jiang Wang ergueu An'an sobre o ombro direito e com passos firmes caminhou para casa.
Jiang An'an se iluminou na hora, gritou "—Eia!", e chutou as perninhas com alegria sob seu queixo.
Todo o caminho de saída da Academia Dao, manteve um zumbido alegre, servindo de porta-voz de Jiang Wang. Sempre que alguém saudava "—Bom dia, Irmão Mais Velho Jiang", ela respondia com timbre fresco: "—E um bom dia para você também."
Jiang Wang simplesmente a deixava, e respondia com uma inclinação.
"—O Irmão Ling He é muito entediante?" De volta para casa, Jiang Wang perguntou de passagem.
"—Antes de a aula acabar, ele já esperava no portão. Depois da aula ele tinha assuntos próprios, mas não me deixava — ficou me seguindo por toda parte." Jiang An'an respondeu, mordendo os dedos.
Ling He era um homem de condição ampla, confiável e sólida; fazê-lo cuidar de Jiang An'an era a opção mais segura de longe, e estar grudado nela era apenas o alicerce mais simples disso.
"—Que assuntos você poderia ter?" Jiang Wang disse, tirando-lhe os dedos da boca. "—Pare de roer as unhas."
"—Ha!" Jiang An'an, furiosa, quase pulou no chão na hora; depois, calculando que ainda havia caminho de sobra até casa, desistiu. "—Estou terrivelmente ocupada, e não tenho vontade de lhe contar."
Jiang Wang deu pouca atenção, tagarelando: "—O Irmão Ling He é uma pessoa muito boa. Você deve ser educada com ele, An'an."
"—Não faça cara feia."
"—Pare de roer as unhas."
Sua voz foi se apagando gradualmente à distância.
"—Já. Sei. DISSO!"