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Capítulo 7: Assuntos Antigos Como Lembranças

Chi Xin Xun Tian·Capítulo 7 de 75·~6 min de leitura

Atualizado: 2026-08-02 12:20

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Zhao Rucheng vinha de uma família abastada e comprara uma residência perto da Academia Dao, onde vivia com uma dúzia de criados que cuidavam de suas necessidades diárias. Ele raramente ficava no dormitório. Du Yehu, por sua vez, uma vez que punha as mãos no vinho, não se despregava dele tão cedo.

Assim, quando Jiang Wang retornou ao dormitório, percebeu que o quarto, sempre barulhento e cheio de vida, agora abrigava apenas a si mesmo.

Depois de fechar a porta, ele olhou instintivamente para a cama no canto esquerdo mais afastado.

A roupa de cama ali estava dobrada com um zelo incomum, limpa, de material igual ao de todos os outros. Ninguém mais jazia sobre ela, e ninguém jamais tornaria a jazer.

Aquela fora a cama de Fang Pengju. Nascido em berço de ouro, ele jamais fora mesquinho ou exigente. Comia e bebia junto com todos os demais, sem jamais se queixar.

A cama em frente à de Fang Pengju estava vazia, empilhada de bagagens.

As camas restantes se espalhavam a partir dessas duas como linha divisória, três de cada lado.

A segunda cama à esquerda, ao lado da de Fang Pengju, era a mais bagunçada do quarto. Cobertores amontoados num emaranhado, roupas espalhadas como mero toque decorativo, e, se alguém aspirasse com atenção, uma fragrância de vinho. Bastava olhar sob a cama para encontrar fileiras e mais fileiras de jarros de vinho, arrumados com esmero meticuloso, tratados muito melhor que o espaço ocupado por seu dono.

A primeira cama à esquerda ficava junto à porta, o que a tornava a de Ling He. Fora ele quem sempre abrira e fechara a porta para todos. A roupa de cama ostentava alguns remendos discretos, mas era lavada com um esmero impecável.

A primeira cama à direita era a de Jiang Wang, sua roupa de cama em condição semelhante à de Ling He. Embora ele estivesse ausente havia muito tempo, ela permanecia arrumada — claramente alguém a limpava com regularidade. Talvez Ling He, talvez Zhao Rucheng… quem sabe até Fang Pengju.

A segunda cama à direita pertencia a Zhao Rucheng, e a sua se destacava de todas as demais. Lençóis e colchas do Estúdio Yunxiang, da mais fina qualidade, e sobre a cama modesta do dormitório pendia um cortinado bordado com fio de ouro. Um contraste gritante com o lado de Du Yehu, do outro lado do quarto.

Desconhecidos talvez achassem Zhao Rucheng difícil de conviver, mas na verdade ele simplesmente se impunha um padrão de vida impossivelmente elevado. Mesmo quando ficava no dormitório apenas ocasionalmente, insistia no máximo conforto. Certa vez, oferecera gastar uma fortuna para reformar o quarto inteiro e transformá-lo numa suíte de nível Tianzi, se Jiang Wang não lhe tivesse dado uma surra por causa disso.

Dos catorze anos, quando fora aprovado no Corte Externo da Academia Dao, até aquele momento, Jiang Wang passara três anos naquele dormitório. Cada detalhe do quarto lhe era intimamente familiar.

As coisas permanecem, mas as pessoas se vão, e tudo chega ao fim.

Jiang Wang ficou em silêncio por um instante. Então tirou os sapatos e as meias, despiu a túnica externa e deitou-se em sua própria cama.

Estava exausto, moído até os ossos. Mas só naquele momento pôde enfim dormir em paz.

Um despertar, à deriva entre os assuntos do mundo. Um sonho, à espera das alturas do céu.

A Cidade Fenglin era traçada em um quadrado ordeiro. A Mansão do Senhor da Cidade ficava em seu centro, irradiando em todas as direções. A Cidade Leste era território da Academia Dao; as grandes e nobres casas ocupavam a Oeste. A Cidade Sul abrigava sobretudo o povo comum, enquanto mercadores e comerciantes abastados se reuniam no Norte.

Somente depois de ver Jiang Wang sair ileso da sala de meditação do reitor é que Ling He partiu sozinho, carregando o corpo de Fang Pengju para longe da academia.

Em vida, Fang Pengju comandara seguidores a um só chamado, amigos incontáveis. Na morte, foi rejeitado por todos.

Agira com malícia e traição. Merecia ser rejeitado.

Ling He não sentiu nenhuma injustiça em nome dele. Apenas uma dor persistente no coração.

Envolvera o corpo de Fang Pengju em sua própria túnica externa. A túnica era velha, mas recém-lavada.

Para o seu passo, a caminhada da Cidade Leste até a Cidade Oeste não era longa, e a estrada para a mansão da família Fang lhe era familiar. Mas Ling He caminhou devagar, cada passo pesado.

Não suportava a ideia de partir.

Ele era o mais velho. Deveria ter cuidado de seus quatro irmãos jurados. Não o fizera.

Ainda se lembrava do dia em que os cinco prestaram juramento junto ao Rio Salgueiro Verde, lembrava-se de cada um de seus sorrisos radiantes.

O Rio Salgueiro Verde era um afluente do Qinghe, serpenteando ao redor da Montanha Niutou. Suas águas eram claras o bastante para espelhar rostos jovens e corações jovens. Naquele ano haviam cavalgado com suas espadas, erguido taças juntos, duelado incontáveis vezes e conversado por incontáveis noites à luz de velas.

Prometeram uns aos outros que ascenderiam juntos ao Corte Interno, que voariam juntos em espadas pelos céus azuis, que transcenderiam o reino mortal e alcançariam a santidade juntos. Aquelas lembranças, aquelas promessas.

Ling He jamais imaginara que cinco pessoas tão unidas em espírito, tão ligadas por profundo afeto, veriam um dia irmãos se voltarem uns contra os outros, vida e morte postas em confronto direto.

Como isso era possível?

Ele pensava.

Não conseguia compreender. Mas, segurando o corpo frio de Fang Pengju, enfim chegou diante dos portões da residência Fang.

"Quem está aí?" Um porteiro barrou-lhe o caminho.

A mansão Fang erguia-se alta e imponente, soberba no sentido mais literal.

"Oh." Ling He aconchegou o corpo e inclinou a cabeça em saudação. "Fang Pengju faleceu. Trouxe seus restos mortais para que a família providencie seu sepultamento."

Se ninguém reclamasse um corpo, as autoridades o levariam a uma vala comum para descarte coletivo. Aquele era o lugar que cultivadores hereges mais frequentavam, e os mortos ali não encontravam paz nem depois de mortos.

Mas Ling He não via necessidade de dizer isso. Não era de se gabar dos próprios feitos, nem considerava aquilo um feito do qual se gabar.

A expressão do porteiro mudou. A porta bateu com força. Uma voz veio de trás dela: "Leve-o embora! O senhor diz que ele não deve entrar!"

"Meu amigo," Ling He disse com sinceridade, "por favor, informe novamente ao seu senhor. Pengju é, afinal, sangue Fang. Talvez eles estejam falando com raiva. Não o abandonarão de verdade."

O porteiro pareceu hesitar. "Vou perguntar de novo. Mas não tente forçar a entrada!"

"Tem minha palavra."

Ling He permaneceu imóvel diante dos portões Fang, segurando o corpo de Fang Pengju, ouvindo os passos apressados se afastarem do lado de dentro.

Ele baixou o olhar para o rosto já frio pela morte. "Pengju, veja só o que você fez. Mesmo na morte, ninguém se lembra do seu bem. Deuses e fantasmas igualmente o desprezam."

Muito tempo se passou antes que a voz do porteiro se erguesse novamente atrás da porta.

"O senhor diz." Ele fez uma pausa, então adotou o tom do patriarca da família Fang: "Morto está morto. De que adianta trazê-lo de volta?"

Ling He ficou perplexo, então disse com voz hesitante: "A família Fang é uma casa de estirpe. Deveriam conceder a Pengju uma despedida digna."

"O senhor diz que a causa da morte de Fang Pengju já é de seu conhecimento. Um homem de tamanha deslealdade e perfídia não é semente da família Fang!"

"Mas ele é," disse Ling He. "Ele é semente da família Fang."

"Vá embora!" O porteiro atirou um punhado de moedas-faca pela fresta da porta. "Se insistir nisso, chamamos as autoridades!"

As moedas tilintaram pelo chão, atraindo todos os olhares da rua. Para um enterro simples, teriam sido mais que suficientes. O excedente era gorjeta.

Aquela era a resposta da família Fang.

Ling He emudeceu.

Não tentou dizer mais nada.

Era pobre. Fora pobre desde a infância. Precisava de dinheiro. Sua única túnica externa intacta estava enrolada no cadáver de Fang Pengju, e as vestes por baixo traziam remendo sobre remendo. Ele estava diante dos portões grandiosos e dourados da mansão Fang como um parente pobre a quem haviam mostrado a porta.

Ergueu o corpo de Fang Pengju e deu meia-volta.

Do começo ao fim, não lançou um único olhar às moedas-faca espalhadas pelo chão.

Aquela era a resposta de Ling He.

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