Os dois caminharam juntos pela estreita trilha que saía da aldeia em direção à encosta branca ao norte. Para qualquer observador pareceria conversa fiada entre novos companheiros. Na verdade Han Li perguntava e Wan Xiaoshan respondia, e Han Li colhia cada palavra.
Com algumas perguntas ingênuas deixou o rapaz derramar tudo o que sabia, encantado por ter encontrado ouvinte tão atento. Grande parte eram saberes comuns entre cultivadores, mas inteiramente novos para Han Li.
"O cultivo é dividido por reinos," disse Wan Xiaoshan com orgulho, como recitando lição do clã. "Três grandes estágios — o Inferior, o Médio e o Superior."
Contou nos dedos. "O Inferior tem cinco camadas: Refinamento de Qi, Estabelecimento da Fundação, Formação do Núcleo, Alma Nascente e Transformação da Deidade. O Médio tem três: Refinamento do Vazio, Integração Corporal e Grande Ascensão. O Superior tem só um portão, a Transcendência da Tribulação. Se o cruzar ascende ao Reino Imortal e vive tanto quanto o céu e a terra."
"Isso é só como se diz," acrescentou murchando. "Dizê-lo é fácil. Fazê-lo é distante como estrelas. Mesmo no cume do Reino Inferior — a Transformação da Deidade — não há uma só pessoa em todo o Reino de Yue que a tenha alcançado, que eu saiba. Os de Alma Nascente contam-se nos dedos. Só alguns velhos monstros de grande fortuna chegaram tão alto."
"E a longevidade?" instigou Han Li com suavidade.
Os olhos de Wan Xiaoshan brilharam. Era seu prodígio favorito.
"Vai ligada ao reino! Cada grande avanço mais que dobra teus anos! Mortais que vivem cem anos já são raros e celebrados. Mas um cultivador no Estabelecimento da Fundação passa dos duzentos como algo normal. Se tiver a sorte de formar um Núcleo Dourado, quatro ou cinco séculos o aguardam. E se — por sorte que desafia o céu — condensar uma Alma Nascente, parabéns!"
Estalou os lábios com inveja. "Um milésimo aniversário não seria impossível! Dez vezes a vida de um homem comum!"
Han Li manteve o rosto composto, mas por dentro ficou atônito. Suspeitava que cultivadores vivessem mais, sentira a vitalidade lenta de sua própria Arte da Juventude Eterna, mas mil anos lhe parecia absurdo. Uma tartaruga milenar, pensou antes de se conter.
Se Alma Nascente concedia um milênio, o que seria da Transformação da Deidade e além? Não pôde deixar de sondar.
Wan Xiaoshan abriu as mãos. "Quem sabe? Talvez vivam ainda mais. Talvez nunca morram? Diz-se que quem alcança de verdade a Transformação da Deidade e a aperfeiçoa deve deixar este mundo para um espaço mais alto, um mundo superior. Como é, ninguém sabe. Ninguém voltou para contar."
Ninguém voltou, meditou Han Li, e no entanto temos nomes para esses reinos superiores. Como foram nomeados se ninguém voltou? A dúvida alojou-se como espinho, mas não convinha pressioná-la naquele jovem cândido que só conjeturaria. Deixou-a afundar.
Além dos reinos, Han Li extraiu um mapa mais amplo de Yue.
De outros reinos o jovem sabia pouco, mas de Yue falava com fluidez nativa.
"Dentro de Yue há sete grandes seitas," disse. "Seita da Lua Velada, Vale do Bordo Amarelo, Montanha da Besta Espiritual, Seita do Vazio Claro, Doca da Transformação do Sabre, Forte do Limiar Celestial e Seita da Espada Gigante. A Lua Velada é a mais forte, a Montanha da Besta Espiritual logo atrás; as outras cinco estão mais ou menos empatadas, nenhuma fraca a ponto de ser desprezada nem forte a ponto de dominar."
Se as seitas eram as grandes árvores que sustentam o céu de Yue, os clãs de cultivo eram trepadeiras entrelaçadas a elas — buscando sustento, oferecendo lealdade, precisando do abrigo daqueles troncos para sobreviver.
Ali baixou a voz em cumplicidade. "Cada família antiga de cultivo descende de um discípulo dessas seitas! Todos somos continuação de seu sangue!"
"Por quê?" perguntou Han Li.
"Por causa das raízes espirituais!" declarou Wan Xiaoshan.
A maioria não saberia explicar com precisão o que era uma raiz espiritual, disse, mas uma regra de ferro era conhecida: sem raiz espiritual não sonhe em cultivar. Nem sequer perceberia o qi espiritual, quanto menos refiná-lo em poder mágico.
E no entanto os nascidos com raízes eram raríssimos — um em dez mil, talvez um em dezenas de milhares. E deles só uma fração pisava a senda. A maioria vivia e morria como gente comum, jamais encontrada, porque os portadores estavam dispersos como agulhas num deserto de palha.
Ter raiz tampouco bastava. As raízes diferiam muito em qualidade.
Classificavam-se pelas cinco fases — metal, madeira, água, fogo, terra. A maioria carregava emaranhado de quatro ou cinco atributos. Podiam sentir o qi, mas seu cultivo era lamentável; no máximo empurravam os exercícios básicos do Refinamento de Qi à terceira ou quarta camada, depois paravam para sempre, sem esperança de Estabelecimento nesta vida.
Assim, os de quatro ou cinco atributos eram chamados "raízes falsas", separados dos de dois ou três atributos, de progresso bem mais rápido — as "raízes verdadeiras".
Quem tinha um único atributo puro era chamado "raiz celestial" — o favorito do céu. Uma raiz celestial cultivava duas ou três vezes mais rápido que uma ordinária e, no auge do Estabelecimento, não enfrentava gargalo para a Formação do Núcleo; podia formar um Núcleo Dourado com a naturalidade de um rio que alcança o mar.
Se a velocidade causava inveja, a ausência de gargalo fazia ranger os dentes até cuspir sangue. Entre dez cultivadores de Refinamento, talvez um, ajudado por uma Pílula de Estabelecimento, entrasse no Estabelecimento; entre cem do Estabelecimento, nem um lograria formar um Núcleo. Tão marcada era a diferença que a existência de raízes celestiais parecia injustiça do céu. Por isso quando surgia uma, as seitas lutavam loucamente para reivindicá-la — um futuro pilar de Formação assegurado. Mas eram miticamente raras, uma a cada várias centenas de anos.
Mais comuns, embora ainda raras, eram as mutações além das cinco fases — "raízes mutadas", uma a cada vinte ou trinta anos. Formavam-se quando dois ou três atributos se mesclavam e sublimavam: metal e água em relâmpago, terra e água em gelo, e outras como escuridão e vento. A raiz mutada não isentava do gargalo para Formação, mas sua velocidade não era menor que a celestial e, com arte compatível, seus portadores tornavam-se lutadores assombrosos, capazes de enfrentar sozinhos três ou quatro pares ordinários. Também eram bem-vindos.
Em tempos antigos, prosseguiu o jovem, não só raízes celestiais e mutadas como até as verdadeiras ordinárias eram difíceis de achar. Como testar cada criança do mundo mortal? De dez mil, talvez uma tivesse raiz; de cinco ou seis com raiz, talvez uma fosse verdadeira. Pequenas seitas minguaram até restar um punhado, à beira de perder sua herança.
Por fim alguns homens perspicazes descobriram a chave: raízes aparecem com muito maior facilidade dentro de uma mesma linha de sangue. Se um progenitor portava raiz, o filho tinha chance de uma em quatro; se ambos portavam, a chance era muito maior — não seria estranho que todos os filhos a tivessem.
Isso eletrizou o mundo de cultivo. Muitos jovens discípulos foram enviados pelos anciãos a casar e formar família no mundo mortal, retornando só após nascerem os filhos. Quando precisavam de discípulos, as seitas escolhiam diretamente de suas próprias famílias e a proporção de raízes verdadeiras subia dramaticamente. A crise aliviou-se.
Embora a incidência entre mortais comuns continuasse baixa, o número total de portadores cresceu geração após geração. Famílias onde o sangue espiritual corria forte produziram herdeiros com raízes sem cessar, e com o tempo ramificaram-se nos clãs de cultivo de hoje. Esses clãs podiam carecer das artes mais profundas, mas possuíam bastantes fórmulas rasas e pouco a pouco tornaram-se ramos exteriores das seitas, conservando certa independência. Em suma, por trás de cada clã havia uma seita que ninguém ousava desdenhar.
Wan Xiaoshan não falava com tanta alegria diante de outro havia muito tempo. Sentir-se ouvido com atenção absorta soltou-lhe por completo a língua. Desejoso de impressionar aquele irmão mais velho que ouvia tão bem, derramou sem receio tudo o que sabia, até se exibindo um pouco.
Han Li ouviu com prazer genuíno, intercalando alguma pergunta casual para mantê-lo falando. Pena que a encosta enevoada não ficava longe da aldeia. Após só algumas horas a pé, chegaram diante do véu de névoa.
Um trajeto tão curto deixou Han Li discretamente frustrado. Não ouvira nem de longe o suficiente e sentiu o desejo fugaz de voltar atrás e refazer o caminho. Mas era impossível. Só pôde observar como Wan Xiaoshan, até então tagarela, enfim se calava, com olhos brilhantes de excitação fixos na branca névoa ondulante.