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Capítulo 128: A Assembleia de Tailan

A Record of a Mortal's Journey to Immortality·Capítulo 128 de 135·~5 min de leitura

Atualizado: 2026-08-20 14:25

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— De que família você é, irmão? — perguntou o jovem depois de encarar a névoa agitada.

Han Li já sabia, pela conversa no caminho, que o mundo da cultivação não abrigava apenas seitas e clãs, mas também muitos cultivadores errantes — descendentes de casas caídas, herdeiros acidentais como ele próprio, ou órfãos de linhagens moribundas. A maioria permanecia para sempre nos degraus mais baixos do Refinamento de Qi, desprezada pelos grandes clãs como uma casa rica despreza uma arruinada.

— Não pertenço a nenhuma família — respondeu Han Li após um instante de reflexão. Fingir ser de algum clã seria descoberto em poucas frases —. Cultivei sozinho.

— Você é um cultivador errante! — exclamou Wan Xiaoshan, surpreso, mas sem traço de desdém. Pelo contrário, seus olhos se iluminaram. Ele circulou Han Li como se examinasse uma besta rara.

— Você disse que os clãs desprezam os errantes, por que está contente? — perguntou Han Li, intrigado.

— Eles são eles! Não confunda minha família Wan com esses outros! Nós sempre fomos amistosos com os errantes! — O garoto ergueu o queixo com orgulho —. Nosso ancestral foi ele próprio um cultivador errante que por grande fortuna entrou na Seita da Espada Gigante como discípulo formal. Assim começou a casa Wan. Nossa regra proíbe desprezar os errantes.

— Não apenas nós, Wan — continuou, balançando a cabeça —. Algumas outras casas também vieram de errantes, por isso não guardam rancor; apenas são muito poucas, por isso a reputação geral dos clãs é a que você ouviu.

Ao saber que sua identidade não provocava desdém — mas calor — a cautela de Han Li para com o jovem suavizou-se ainda mais.

— Mas, irmão, você fez tantas perguntas que todo cultivador deveria saber — será que também acabou de emergir? — Os olhos do rapaz se estreitaram com astúcia.

Han Li sorriu e deu um tapete em seu ombro. — Não quis enganá-lo, Pequena Montanha. Entrei no mundo da cultivação há pouco, por isso sou cauteloso.

— Não importa! Não me importo! Mas agora deve me dizer seu nome! E me chame de Pequena Montanha daqui em diante! — Wan Xiaoshan era do tipo que faz amigos num instante.

— Han Li. De fato acabei de pôr o pé neste caminho. Dependerá de você, irmão Pequena Montanha.

— Sem problema, pergunte o que quiser! Heh — nunca pensei que chegaria a ensinar alguém!

— O que deseja ver no Vale Tailan? — Han Li os conduziu lentamente em direção à estranha encosta que já havia explorado várias vezes. Ficava ao norte da montanha, velada o ano inteiro.

— Tanta coisa! Quero ver as artes e técnicas secretas de outras famílias, e trocar por coisas de que gosto — disse o garoto com franqueza.

— Oh? — O coração de Han Li agitou-se. Pelo tom, o Vale Tailan estava atualmente lotado — algum grande assunto estava em curso.

Por ora a multidão de Tailan era um mistério. Não houve tempo de insistir, pois o garoto já havia silenciado para encarar a névoa.

Wan Xiaoshan remexeu no manto e produziu um papel amarelo. Gesticulou sobre ele, murmurou um encantamento e o jogou ao céu. Tornou-se uma faísca de fogo e mergulhou na parede branca, desaparecendo.

— Espere um momento, irmão Han. Enviei um Talismã de Transmissão de Voz. Os de dentro abrirão a formação para nos receber — explicou ao ver Han Li observar.

— Hm. — Han Li assentiu.

— Irmão Han, trouxe muito para trocar? Deixe-me contar o meu primeiro, não seja tímido! — Sem esperar, Wan Xiaoshan começou a contar nos dedos, tagarelando efusivo —. Um maço de papel em branco de baixo grau, dois talismãs de invisibilidade e dois de fuga pela terra de baixo grau, um talismã de Raio de Pérolas Encadeadas de grau médio-baixo, um maço de talismãs de Tiro de Gelo de baixo grau, um pedaço de essência de ferro refinado, um frasco de cinábrio, um feixe de bigodes da besta demoníaca Gato de Três Caudas, algumas ervas espirituais...

Han Li ficou petrificado.

— Agora é sua vez, irmão Han. Hã? Seu rosto está pálido...

— É obrigatório trazer coisas para entrar no Vale Tailan? — conseguiu dizer Han Li.

— Não por regra! — respondeu Wan Xiaoshan prontamente.

A cor de Han Li melhorou.

— Mas sendo o momento da Assembleia de Tailan, quem viria sem trazer nada? Esta é a grande feira para jovens como nós na Província Lan, a cada cinco anos! E com a Assembleia de Ascensão abrindo nesta mesma província dentro de um mês, ainda mais gente veio para a Assembleia de Tailan de passagem. Você não veio para a Assembleia de Tailan, irmão? — O jovem o encarou incrédulo.

Han Li esboçou um sorriso amargo. — Irmão Pequena Montanha, realmente não sabia que se convocava uma Assembleia de Tailan. Só soube que aqui moravam cultivadores e quis fazer amizades. Não preparei nada.

— Que pena! Você desperdiçará uma excelente oportunidade. As chances de obter materiais necessários não surgem com frequência — suspirou Wan Xiaoshan com genuíno pesar.

"Também não posso dizer que não tenho absolutamente nada — pelo menos tenho dois talismãs", pensou Han Li com ironia.

Enquanto pensava, a densa névoa diante deles agitou-se e partiu-se. Um caminho largo o bastante para dois lado a lado foi cortado através dela, como por uma lâmina invisível, sua extremidade perdida na profundidade.

— Vamos! — Acenando, o jovem disparou para a trilha e desapareceu.

Han Li examinou a abertura com fria indiferença, então avançou com passo firme, sem pressa.

O corredor parecia longo, mas após apenas um curto percurso chegaram ao seu fim. A luz irrompeu sobre eles. Um vale verde atapetado de flores estranhas e ervas exóticas abriu-se diante de seus olhos. Por três lados montanhas o abraçavam; a única entrada era a encosta selada pela névoa atrás deles.

O vale cobria bem mais de cem mu. Em seu centro erguia-se um complexo de pavilhões e salões de balaustradas esculpidas e degraus de jade, onde figuras em trajes curiosos entravam e saíam. Diante dos edifícios estendia-se uma ampla praça de tijolo azul. Ao seu redor muitos haviam estendido pequenas bancas como mascates. Os compradores vagavam de banca em banca, parando para olhar, perguntando preços em voz baixa; poucos fechavam negócio no ato.

Han Li inspirou. Este era o mundo da cultivação. Todas aquelas pessoas eram cultivadores. Ver tantos de uma vez fez até sua mente firme vacilar por um instante.

Sacudiu a cabeça para se clarear, lembrando a si mesmo: este era um mundo que nunca havia imaginado; qualquer um ali poderia extingui-lo com facilidade. Deveria ser cauteloso e manter um perfil discreto.

Olhou para trás — o caminho por onde viera havia desaparecido por completo — e então avançou em direção à praça.

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