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Capítulo 13: A Anomalia Começa

A Record of a Mortal's Journey to Immortality·Capítulo 13 de 33·~6 min de leitura

Atualizado: 2026-08-08 11:06

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Como sabia que Han Li estava com o pé ferido, Zhang Tie levou a comida até a porta da própria cabana dele, com a intenção de lhe fazer companhia enquanto comiam.

Han Li observou o rapaz a tropeçar em seu quarto apertado: arrastando uma cadeira para cá, brigando com a mesa para lá, afazendo-se por um bom tempo até que tudo enfim ficou arranjado e puderam se sentar para comer. Não pôde evitar sentir um pouco de graça — e, mais do que isso, um pouco de emoção.

Quando os dois ficaram sentados à mesa, um de frente para o outro, puseram-se a conversar sobre as novidades e os mexericos de dentro do portão enquanto entupiam a boca de comida, e de vez em quando trocavam as percepções que cada um tirara de seu treinamento.

Toda vez que a conversa recaía em seu "Arte da Armadura de Elefante", Zhang Tie se entristecia tanto que virava os olhos.

A essa altura, com a simples menção da Arte da Armadura de Elefante, Zhang Tie empalidecia de pavor. É que ele nem treinara mais do que o primeiro nível, e já o Doutor Mo o atormentara até fazê-lo gritar sem jeito. Não só tinha que mergulhar, em horas fixas, em uns banhos de ervas de cheiro repugnante, como ainda o Doutor Mo não parava de lhe dar pancadas com seu bastão de madeira, sob o pretexto de lhe temperar os tendões e os ossos.

Esses métodos brutais de treino lhe tinham roubado, por algum tempo, toda esperança de dormir por um bochorno à noite. Tinha o corpo inteiro inchado e roxo, e ao mais leve contato com a cama de madeira fazia uma careta de dor e sibilava.

Para ele, aquilo fora um verdadeiro pesadelo.

Quanto à Fórmula Sem Nome que Han Li praticava, Zhang Tie a invejava do fundo do coração.

Em seu modo de ver, todos os dias Han Li só precisava se sentar como um monge e recitar seus sutras em meditação. Quando Han Li ouvia aquilo, só podia calar-se e não achar nada o que dizer.

Ainda assim, Han Li compreendia muito bem o pavor de Zhang Tie pelas camadas posteriores da Arte da Armadura de Elefante. Que alguém soubesse que haveria de se submeter a um sofrimento várias vezes mais atroz do que o que já padecera bastava para andar inquieto de dia e de noite, sem poder ficar sentado nem dormir em paz.

Que Zhang Tie tivesse permanecido firme até o fim, sem jamais desistir, já granjeava por inteiro a admiração de Han Li.

Se fosse ele, jamais teria consentido em treinar uma arte marcial tão autoflagelante — nem mesmo se, da noite para o dia, pudesse convertê-lo num mestre de primeira.

Quando os dois tiverem conversado ao longo de todo o jantar, a comida estava quase terminada. Zhang Tie recolheu às pressas as tigelas e os palitos, e então se levantou para se despedir. Antes de partir, disse a Han Li que se deitasse cedo e que descansasse em paz, para que o pé ferido pudesse sarar.

Han Li permaneceu na porta, acompanhando com o olhar o rapaz até que se afastou, e logo se apressou a voltar para dentro. Fechou a porta e as janelas com firmeza, deixando aberta apenas a claraboia do teto para entrar o ar. Só então tirou a garrafa da bolsa e se pôs a estudá-la de novo.

Mas Han Li era, afinal, apenas um menino de dez anos ou pouco mais. Brincou com ela por um tempo, não achou nenhum caminho, e começou a se entediar. Para completar, o pé seguia doendo, e além disso estava cansado de espírito. Sem perceber, com a garrafa ainda empunhada na mão, recostara-se contra o canto da cama e mergulhara num sono pesado.

Ninguém poderia dizer quanto tempo ali permanecera, enterrado em seus sonhos, quando de repente um frio o invadiu — uma sensação de gelo que lhe chegava de uma das mãos.

Han Li estremeceu com violência, despertando num sobressalto. Com grande esforço forçou a abrir as pálpebras, que pesavam como chumbo, e olhou, meio aturdido, para a mão que lhe pregava essas peças.

De repente sentou-se ereto como uma vela, com a boca tão aberta que um fio de baba escorria pelo canto dela sem que ele o notasse. Estava de todo despertado agora, e a cena que tinha diante dos olhos o deixara sem fôlego.

Pela única janela aberta do quarto — a claraboia de cima — fios visíveis de luz branca caíam dos céus, convergindo sobre a garrafa que sustentava na mão e reunindo-se em pontinhos de luz não maiores que um grão de arroz. Toda a garrafa ficava envolvida, camada sobre camada, num tênue véu de clarão branco.

Essa luz branca era muito suave, quase nada ofuscante — e o frio que sentira provinha daquele débil clarão.

Han Li engoliu saliva com esforço, aquele bocado de saliva tornado gelo na garganta, e só então despertou por completo. Arremessou a garrafa para longe da mão como se ela o queimara, e se arrastou às gatinhas até o outro lado do quarto para se afastar dela.

Observou-a com cautela por um tempo e, vendo que nenhum perigo parecia ameaçar, voltou a se aproximar com timidez.

Presa em seu halo de luz branca, a garrafa parecia de uma beleza pouco natural, sedutora, tocada de certo ar de mistério.

Han Li hesitou um instante, depois estendeu o dedo e a tocou com leveza algumas vezes. Ao ver que nada acontecia, recolheu-a com muito cuidado, tornou a pô-la sobre a mesa, e então se deitou a seu lado para contemplar, cheio de excitação, aquele espetáculo estranho que jamais vira na vida.

Sem piscar, Han Li firmou o olhar na garrafa dentro de seu clarão por um quarto de hora inteiro, até que por fim distinguiu parte do segredo que ela encerrava.

A garrafa estava absorvendo sem cessar os pontinhos de luz branca que flutuavam em suas cercanias, fazendo-os passar pela própria superfície de seu vidro. Não — não os absorvia. Eram os pontinhos de luz que se apertavam com desespero para dentro da garrafa, atropelando-se uns aos outros como se estivessem vivos.

Sob a curiosidade, Han Li estendeu a mão e deixou que a ponta do dedo roçasse com leveza num deles.

Frio! E, além disso, nada fora do comum.

Han Li ergueu a cabeça e olhou para cima.

Fio após fio de luz branca seguia caindo sem pausa pela claraboia do teto, sem o menor sinal de se deter.

Han Li lançou um olhar à porta e às janelas, todas seladas com firmeza, e depois tornou a erguer os olhos para a claraboia aberta.

Veio-lhe uma ideia. Empurrou a porta com suavidade para abri-la e espiou para fora, esticando o pescoço de um lado a outro.

Tudo ia bem. Era noite alta já, e à parte o suave cantar de uns grilos de outono, o mundo de fora permanecia calmo e silencioso, sem uma alma à vista.

Han Li recolheu a cabeça, voltou para dentro, apanhou a garrafinha, meteu-a na bolsa de couro, e então saiu disparado de casa.

Correu até chegar a um lugar afastado, aberto e vazio, e ali por fim se deteve.

Varreu os arredores com o olhar, e só quando se certificou de que não havia mais ninguém nas redondezas, tirou a garrafa com sumo cuidado e a deixou suavemente no chão.

Os pontinhos de luz que pululavam em torno da garrafa se desvaneceram sem deixar rastro no mesmo instante em que ela ficou encerrada dentro da bolsa.

Mas Han Li não se preocupou.

E com efeito, ao pouco tempo, fios de luz muito mais numerosos do que todos os que vira dentro de casa começaram a confluir de todas as direções. E então, incontáveis pontinhos de luz branca se apinharam em torno da garrafinha, agrupando-se numa grande esfera de luz tão grande quanto uma bacia.

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