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Capítulo 12: Quebrando a Garrafa

A Record of a Mortal's Journey to Immortality·Capítulo 12 de 33·~5 min de leitura

Atualizado: 2026-08-08 11:06

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"—Pum!"

Han Li cerrou os dois punhos e deixou cair um deles com força sobre a mesa.

"Quebrar a garrafa com uma ferramenta." Essa era a decisão a que Han Li chegara depois de ponderar uma e outra vez.

Recorrer à força bruta para abri-la fora um plano que lhe ocorrera quase desde o começo: um último recurso, um meio quando não restava nenhum outro. Era um método simples, claro, direto e eficaz.

E, no entanto, sempre que pensava que uma garrafinha tão estranha e bela jamais voltaria a se conservar inteira e sem uma única mácula, uma dor lhe picava o peito e nele brotava uma profunda renitência. Se houvesse qualquer outro modo de abri-la, ele jamais teria recorrido a métodos tão brutos.

Talvez pudesse pedir ajuda a algum de seus irmãos mais velhos, e juntos encontrariam caminho para abri-la. Mas no fundo do coração, sem perceber, Han Li já começara a tratar a garrafa como seu próprio tesouro, e por nada deste mundo permitiria que outro soubesse de sua existência. Além disso, qualquer pessoa na montanha podia ser o seu verdadeiro dono. Se se espalhasse que a garrafa estava em seu poder, o que impediria que viessem reivindicá-la? A garrafinha era tão bonita, tão curiosa, que por ora ele não suportava a ideia de se separar dela.

Para então, a curiosidade de Han Li se despertara por completo diante do que a garrafa pudesse conter. No fundo, sabia que bem podia estar vazia; e ainda assim queria arriscar essa aposta, apostar que o que houvesse dentro se revelaria muito mais interessante que a própria garrafa.

Quanto mais pensava nisso, mais o coração lhe ardia, até doer.

Se não desvendasse o mistério encerrado naquela garrafa, sabia que não pregaria um só olho a noite inteira.

Uma vez tomada a decisão, Han Li deslizou sorrateiramente até o galpão onde o vale guardava seus cacarecos, escolheu dentre as ferramentas um martelito de ferro pequeno, porém pesado, e o levou de volta ao seu quarto.

Dentro, remexeu num canto e deu com um tijolo partido de dura pedra azul, e depois procurou no chão uma reentrância bastante plana. Pôs o tijolo estendido na reentrância, assentou a garrafa em cima com todo o cuidado, e empunhou o martelito com a mão direita. A cabeça do martelo pairou no ar por um instante — e então caiu, com decisão, sobre a parte mais bojuda da garrafa: sua barriga.

"—Chás!"

Temendo que um golpe forte demais pudesse estragar o que estivesse selado ali dentro, deixou cair a primeira martelada apenas com leveza, para apalpar o quão dura era a garrafa.

Ao não ver a menor fenda, Han Li se tranquilizou um tanto. Parecia que, afinal, podia golpeá-la com mais força.

"—Chás!" Cinco décimos de sua força. "—Chás!" Sete décimos. "—Chás!" Todo o seu vigor. "—Chás!" Além do seu vigor.

A cada golpe, Han Li punha mais força no braço. O balanço de seu braço se tornava mais e mais exagerado, e cada martelada caía mais rápido que a anterior. Na última investida, meia garrafa se afundou de cheio no tijolo. E nem assim a garrafa ficou outra coisa que inteira e sem mancha, sem o menor indício de que força alguma pudesse fazê-la em pedaços.

Han Li ficou pasmado. Sem ainda acreditar, estendeu a mão e a passou pelo ponto onde o martelo a golpeara. Ali não restava a menor marca. Verde e reluzente, toda a superfície da garrafa seguia lisa e sedosa.

Isso superava em muito tudo o que Han Li esperara.

Só então confirmou de verdade que a garrafinha era um tesouro fora do comum, e que jamais podia ter sido descartada de propósito. Em toda probabilidade, seu dono a perdera inteiramente por acidente. Naquele mesmo instante, imaginou ele, o dono podia estar revirando a montanha inteira em sua busca. Se quisesse conservá-la, raciocinou Han Li, teria de escondê-la com muito cuidado e se assegurar de que nenhum estranho voltasse a pôr os olhos nela.

No modo de pensar de Han Li, contanto que ele não a tivesse nem roubado nem arrancado à força, tudo o que encontrasse caído no chão era seu por direito de achado. Se fosse um objeto qualquer, talvez o devolvesse ao dono. Mas uma garrafa tão misteriosa com toda certeza fora extraviada por algum daqueles filhos de famílias ricas, ou por alguém na montanha que gozava de posto e prestígio — e Han Li não guardava nenhuma opinião muito alta de nenhum dos dois.

Sua família era pobre desde que ele tinha memória; todos labutavam do amanhecer ao anoitecer, e muitas vezes nem sequer conseguiam reunir uma única refeição completa por dia. Dentro da Seita dos Sete Mistérios vira de sobra a primeira classe: aqueles jovens discípulos ricos que atiravam dinheiro às mãos cheias e o dilapidavam em comidas e bebidas faustosas, tratando a moeda como se fosse pura terra. Cada vez que os via, uma surda mágoa revolvia o peito de Han Li. E é que, além disso, esses meninos de famílias abastadas desprezavam os garotos que tinham subido das aldeias pobres, zombando e insultando-os com palavras a cada passo. Em mais de uma ocasião ambos os lados chegaram às vias de fato, e os meninos se atracaram em brigas. Han Li tomara parte em uma dessas refregas e, para sua desgraça, os filhos ricos, adestrados na arte marcial, o moeram de pancadas, deixando-lhe o rosto roxo e inchado, sem poder se mostrar em público. Nos dias seguintes, tivera de guardar repouso por bom tempo antes de se recuperar.

Quanto àqueles que na montanha gozavam de um pouco de posto e de um pouco de posição, tampouco lhe deixaram impressão melhor. Desde que o Protetor Wang aceitou o suborno de seu tio, até que Wu Yan, apoiando-se na influência do Vice-Líder da Seita Ma, entrou à força no Salão dos Sete Extremos — Han Li não presenciara de perto muitas das grandes figuras da montanha, mas a imagem grandiosa e elevada que de tais personagens carregara no coração de menino se desmoronara quase por completo.

Pelos objetos que perdessem esses dois tipos de gente, Han Li não só não queria devolvê-los, como até sentia um impulso travesso de escondê-los.

Com esse pensamento, despendurou logo a bolsinha de couro que trazia ao pescoço. Sua mãe a costurara de um retalho de pele de animal antes de ele partir de casa, remendada para resguardá-lo da água e da umidade, destinada a guardar o amuleto que lhe dera num dente de javali, na esperança de que o protegesse do mal, livre de doença e desdita.

Han Li afrouxou a boca da bolsa, lançou para dentro a garrafa e o amuleto juntos, e apertou o cordão esticado. Depois tornou a pendurar a bolsa à volta do pescoço.

Quando tudo isso esteve feito, olhou à sua volta. Não havia ninguém. Só então ergueu os ombros, bateu na palma na bolsa que avultava pouco sob a roupa, e ficou tranquilo de que ninguém daria por ele.

Só então sentiu que o peso se lhe assentava no coração, e já não temeu que alguma desventura trouxesse o dono em busca da garrafa e a reivindicasse.

Han Li devolveu em silêncio o martelo a seu lugar, e depois passeou pelo Vale das Mãos Espirituais com um ar estudado de despreocupação, como se nada tivesse acontecido, até que o céu escurecera por completo. Só então arrastou o pé ferido de volta à sua morada.

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