Por fim, Han Li entrou na aldeia passo a passo.
Ao atravessar a entrada, ouviu uma sequência de sons alegres de instrumentos musicais. Ao caminhar pela trilha da aldeia, não avistou sequer uma alma.
Um pensamento lhe ocorreu. Aquela cena e aquela sonoridade eram-lhe extremamente familiares desde a infância — tratava-se, sem dúvida, de alguma família realizando uma cerimônia de casamento, e todos os aldeãos tinham ido prestigiar ou se divertir.
Han Li energizou-se e liberou lentamente sua consciência espiritual. Descobriu que velhos e jovens da aldeia estavam todos reunidos num determinado local. Contudo, a posição em que se encontravam parecia-lhe surpreendentemente familiar — não era o lugar onde sua própria família morava?
Han Li ficou estarrecido.
"Será que...?" Pressentiu vagamente algo.
Acelerou o passo, contornou algumas casas, dobrou algumas esquinas, e sua visão se abriu de repente.
Centenas de aldeãos cercavam um pátio de terra batida.
Dentro do pátio, havia algumas casas de telha que se destacavam das construções vizinhas, em condições visivelmente melhores. Na frente do pátio e das casas, colaram-se grandes caracteres de "felicidade" em vermelho. Na entrada do pátio, um pequeno grupo de músicos soprava e percussava, entretendo a grande animação.
Os aldeãos, de pé, agachados, ou até sentados no chão sem cerimônia, formavam pequenos grupos — uns cochichavam, outros discutiam em voz alta, e ainda muitos olhavam para dentro do pátio com expressão de inveja.
Ao lado dos adultos, corriam crianças divertidas, correndo atrás e brincando com os maiores.
Ao presenciar aquela cena familiar, Han Li sentiu-se momentaneamente deslocado, como se naquele instante voltasse ao passado e se transformasse numa daquelas crianças, correndo e brincando juntas.
"Que beleza! A quarta filha da família Han tem muita sorte! Dizem que o noivo é um estudioso da cidade, de família ilustre e muito culta."
"É mesmo! E ainda por cima vai ser esposa principal — de uma vez se tornará uma senhora de posição!"
"Dizem que o dote que a família Han trouxe é assustador — dezenas de taéis de prata reluzente!"
"Que riqueza!"
As vozes barulhentas e fofocas das mulheres da aldeia arrancaram Han Li de seu devaneio.
"A quarta filha da família Han — não é minha irmã? Será mesmo o dia do casamento dela?" Uma enxurrada de sentimentos indescritíveis brotou no peito de Han Li, agitando-o sem trégua.
Por um impulso que ele próprio não sabia explicar, Han Li deu alguns passos e se escondeu atrás de uma árvore grande nos arredores, fitando insistentemente a entrada do pátio.
De repente, lá do longe veio um grito:
"A carruagem de flores chegou! O noivo vem buscar a noiva!"
Ao ouvir aquilo, os aldeãos se agitaram. Em um instante, a algazarra subiu aos céus!
"A noiva vai sair!"
"A nova nora vai aparecer! Venham ver!"
As crianças também não ficaram atrás, gritando animadamente. Han Li, revitalizado, fitou a entrada do pátio com olhar ansioso.
"Rancco!" A porta de madeira do pátio se abriu e de dentro saíram mais de dez pessoas, homens e mulheres. No meio delas, sob um cortejo apertado, caminhava uma jovem vestindo um traje de noiva bordado com fios de flores e vermelho.
A rapariga tinha o queixo pontudo, traços delicados, aparentando uns dezesseis ou dezessete anos de idade, com expressão de pudor no rosto.
Han Li arregalou os olhos, observando atentamente o rosto da jovem, tentando descobrir traços da irmãzinha que guardava na memória.
A além de certa familiaridade nos olhos e nas sobrancelhas, nenhum outro detalhe lhe permitia associar aquela jovem à irmã de sua lembrança.
"Haha! 'Uma menina muda oito vezes antes de se tornar donzela' — essa frase tem mesmo razão!" Han Li esboçou um sorriso amargo e então passou o olhar sobre as pessoas ao seu redor.
"O gordo ali é o meu terceiro tio — não precisa pensar duas vezes, continua do mesmo jeito gordo!"
"O grandalhão escuro ao lado é meu irmão mais velho, Han Tie. A mulher colada a ele deve ser minha cunhada!"
Han Li foi apontando um a um, murmurando para si mesmo, como se isso lhe aliviasse o peso no peito.
Quando seu olhar pousou sobre um homem e uma mulher idosos, ambos de cabelos inteiramente brancos, Han Li cessou as palavras.
Ficou imóvel atrás da árvore, sem se mexer, com a expressão do rosto tornando-se profundamente complexa.
Havia ali alegria, timidez e um toque de perplexidade.
O grau de envelhecimento dos pais superava em muito a expectativa de Han Li. Lembrou-se de que, quando subiu a montanha, a mãe ainda tinha os cabelos negros como a noite, mas agora as têmporas estavam grisalhas. O pai, cuja coluna outrora se mantinha ereta, agora se inclinava.
Han Li ficou mudo, a cabeça confusa, como uma massa de caldeirão. Não percebeu mais o que se passava ao redor.
Quando recuperou a consciência, a irmãzinha já havia subido a uma carruagem coberta com fitas de seda vermelha, que se afastava ao longe. Ao lado da carruagem, seguia a cavalo um estudioso de montaria castanha-azulada.
Han Li lançou um último olhar firme à carruagem que se distanciava, depois voltou o olhar para seus pais na multidão e fechou os olhos.
Quando gravou com firmeza no fundo do coração os rostos de seus pais e dos mais próximos, Han Li se virou. Em seu rosto surgiu de repente uma expressão resoluta, e passos largos o conduziram rumo à entrada da aldeia.
Han Li sabia que, quando atravessasse aquela entrada pela segunda vez, seu cruzamento com aquelas pessoas teria chegado ao fim — talvez para sempre.
Estava plenamente ciente de que, desde que aprendeu a Arte da Juventude Eterna e tomou conhecimento da existência dos cultivadores, estaria trilhando um caminho completamente diverso do das pessoas comuns.
Não importava se o futuro reservasse fortuna ou desgraça, boa sorte ou má — ele não se arrependeria jamais de sua escolha!