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Capítulo 122: Quando o Sol Brilha Intenso

Roaming the Heavens·Capítulo 122 de 123·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-06 07:39

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O tempo passou rápido.

Sem se dar conta, o mês de inverno terminou, e o décimo segundo mês lunar já ia pela metade. A véspera do Ano Novo se aproximava a cada dia.

...

Naquele dia a luz do céu era formosa e tudo resplandecia. Mas o ânimo de Shen Nanqi estava sombrio.

Calculou que sua posição atual ficava a leste da vila de Tangshe, em algum lugar da Montanha Oeste, muito perto da já abandonada vila de Xiaolin. Mas não podia ter certeza, pois perdera todo senso de direção. Os quatro pontos cardeais viam-se com clareza — norte, sul, leste, oeste — e no entanto, por mais que desse voltas e mais voltas, sempre retornava ao mesmo lugar.

Já não ousava se arriscar, especialmente com vários de seus discípulos juniores gravemente feridos e sem poder se mover por conta própria.

Com a mente desperta, compreendeu o que era aquilo: uma conspiração contra os alunos da Academia do Dao!

Cinco viajantes haviam partido juntos, e agora apenas ele e um irmão mais velho ainda conseguiam andar por conta própria. De todos, só ele ainda conservava forças para lutar.

Em todo o domínio da Cidade do Bosque de Bordo, a Montanha Oeste ficava a nordeste, embora ninguém soubesse bem de onde vinha esse nome. Há tempos um bando de salteadores a fizera de covil, até que foi eliminada pela espada solitária de Jiang Chen, então ainda um discípulo externo. Desde aquele dia, a região conhecera uma longa calmaria.

Shen Nanqi conduzira sua equipe às Montanhas Qichang para caçar bestas ferozes, uma tarefa rotineira de temperar o espírito. Mas nos arredores da vila de Tangshe foram emboscados.

Lutaram enquanto avançavam e, calculando a distância, deviam ter chegado à Montanha Oeste, pois não haviam parado de marchar para leste. Mas uma vez ali, os pontos cardeais já não significavam nada.

De formações ele sabia pouco, e não podia abandonar seus discípulos juniores para sair em aventuras por conta própria. Os hereges ocultos nas sombras pareciam determinados a esgotá-lo devagar, saboreando-lhe a vida. Lançavam seus golpes de prova um a um, sem jamais comprometer todas as forças.

Assim as coisas, tudo o que lhe restava era esperar. O incenso de alarme ele acendera na primeira oportunidade que encontrou.

Agora era ver o que chegava primeiro — os reforços ou seu próprio colapso.

...

Não podia contar quantos assaltos já levava. As reservas de essência do Dao estavam quase exaustas.

O último camarada que ainda estava de pé caiu, salvo por um triz graças a seu ímpeto violento. Mas Shen Nanqi entendia em seu coração que era só questão de tempo, se não conseguissem atendê-los logo...

No interior do Palácio Celestial, o vórtice do Dao girava, gestando o nascimento de nova essência do Dao. Mas Shen Nanqi não sabia se viveria o bastante para ver aquela hora.

Não. Ele tinha que conseguir. Conseguiria.

Não se virou para olhar. Sabia quem estava atrás dele — seus camaradas. E ele, Shen Nanqi, jamais abandonaria seus camaradas.

Jamais!

Arrebatou uma espada à mão e se lançou contra o inimigo que avançava sobre ele. Pouca essência do Dao lhe restava para gastar, e por isso a economizava ao máximo. Embora nunca tivesse cultivado um cânon de espada transcendente, governar o corpo com a cultivação do reino do Perfurador do Céu bastava para mostrar uma força de combate razoável. Mas nunca à altura de seu sistema de artes do Dao, no qual mergulhara por anos a fio.

Trocaram alguns golpes de espada, então Shen Nanqi deslizou para trás, e o inimigo caiu com um buraco no peito, sangue jorrando da ferida. Era a marca da Flecha de Luz Dourada.

No fim, fora forçado a recorrer mais uma vez às suas artes do Dao.

E agora estava completamente exaurido.

Tudo tinha acabado? Ele se perguntou.

Em seu campo de visão, cada vez mais hereges saíam de seus esconderijos. Não cobriam o rosto, pois não pretendiam deixar escapar nenhum deles.

A luz do sol inundava a montanha.

Por entre as matas luminosas, uma figura avançava veloz.

Uma longa lâmina cortou o ar.

O brilho da lâmina se acendeu nos raios do sol, uma figura atravessou outra.

Sangue salpicou; uma cabeça voou de seu corpo.

A Lâmina de Neve Veloz havia chegado... Wei Feng se mostrou.

Os hereges que mal começavam a se aglomerar se dispersaram num instante, dobrando-se através de vários giros até desaparecer de vista. Dentro de uma formação assim, podiam atacar ao avançar e se defender ao recuar.

"Não esperava que fosse você quem viesse me salvar", disse Shen Nanqi.

Wei Feng olhou por cima do ombro, com tom plano: "Ainda é o mesmo. Se tivesse ido sozinho, já estaria longe daqui há muito tempo".

"Largue a conversa. Quando os outros chegam? Nós dois sozinhos não conseguimos romper esta formação." Shen Nanqi aproveitou o instante para recuperar o fôlego, reunindo quanta força podia.

"Somos só nós dois", disse Wei Feng. "Não há mais ninguém".

"O quê?"

"Não chegariam a tempo. Então, no fim, vim eu sozinho".

Shen Nanqi respirou fundo: "Então chame reforços agora. Juntos podemos aguentar um tempo".

"Você ainda não viu? Estes hereges querem nos cercar e esperar os reforços. Não podemos continuar jogando homens na armadilha. Com tanta tramoia, devem estar planejando algo grande. Se a guarda da cidade sangrar demais, a própria Cidade do Bosque de Bordo pode correr perigo." Wei Feng foi categórico; virou-se com a lâmina na mão. "Venha comigo. Nós dois ainda temos uma chance de abrir caminho".

"E eles?" exigiu Shen Nanqi, enfurecido.

Wei Feng olhou para trás uma vez, então convocou casualmente quatro espadas longas e as lançou com precisão para que caíssem junto aos quatro alunos da Academia gravemente feridos.

Um clamor de metal!

Aqueles quatro alunos foram igualmente decididos em sua própria sorte — homens e mulheres igualmente, ergueram a lâmina num corte limpo em suas próprias gargantas. Haviam esperado muito e visto Shen Nanqi aguentar sozinho tudo o que pôde. Nas palavras de Wei Feng não havia disfarce algum, nem sombra de esperança a que se agarrar.

Não atrasar Shen Nanqi — esse era o melhor fim que podiam pedir.

"Não!"

Shen Nanqi avançou para arrancar as lâminas, mas Wei Feng o segurou com um aperto de ferro. Seu corpo exausto não conseguia romper aquela contenção.

Só pôde ficar parado vendo quatro discípulos juniores cortarem a própria garganta e caírem diante de seus olhos. Lágrimas avermelharam o olhar de Shen Nanqi: "Wei Feng! Você veio aqui para salvar pessoas, ou para matá-las?"

Era como se revivesse aquela noite mais uma vez.

Aquela noite manchada de sangue.

Ele e Wei Feng ambos estiveram lá então também.

E tinha sido Wei Feng quem tomou aquela mesma decisão naquela vez.

Naquela noite, o amigo que ele e Wei Feng compartilhavam morreu de forma horrível diante de seus olhos, queimado até virar cinzas. Nem um osso sobrou.

"Se podem ser salvos, salve-os. Se não podem, por que perder tempo?" Wei Feng se virou com frieza. "Se quer vingá-los, me siga".

"Wei Feng!" A voz de Shen Nanqi era menos um rugido que um lamento.

"Melhor usar essa força para abater mais hereges, para que eles descansem em paz". Empunhando a Lâmina de Neve Veloz ao contrário, Wei Feng fendeu uma árvore em duas.

Estudou os anéis de crescimento, então seguiu em linha reta.

"Uma formação pode enganar nossos olhos, mas não pode enganar uma árvore. Porque uma árvore não tem olhos — apenas o instinto da vida".

Shen Nanqi conteve as lágrimas e o seguiu em silêncio.

Em seu coração sabia bem que a decisão daqueles discípulos juniores não era sem mérito. Ao menos os livrava de um destino mais cruel. Mas em seus sentimentos, não podia aceitar aquele cálculo.

Ele lutara tanto, aguentara tanto. E ainda assim não salvara ninguém.

Nem um sequer.

Quase enlouqueceu.

Pelo caminho, os hereges organizaram dois ataques em grande escala, e ambos foram rechaçados por Wei Feng e por um Shen Nanqi que lutava como um possesso.

No entanto, até o pé da montanha, os mestres que Wei Feng antecipara nunca apareceram.

A vila de Tangshe ficava a oeste. Atordoado e confuso, Shen Nanqi dirigiu os pés para o oeste.

"Para o sul", disse Wei Feng.

Sem uma só pergunta, Shen Nanqi mudou de rumo para segui-lo.

Mas Wei Feng se explicou de todo modo: "No caminho para cá, cruzei com uma esquadra de alunos da Academia que também vinha reforçar. Ainda não apareceram — provavelmente caíram em algum lugar. Temos que ir ver".

Shen Nanqi se virou para olhá-lo, a luz voltando pouco a pouco a seus olhos — mas aquela luz era fúria: "Você disse que ninguém mais viria reforçar!"

"Não há tempo." Wei Feng respondeu com lisura. "Se ficássemos lá sangrando aos poucos, você morreria, e eu talvez não sobrevivesse".

E acrescentou: "E veja — aquela esquadra de reforços também já se perdeu".

"Você sempre fará escolhas assim." Shen Nanqi rangeu os dentes. "Espero que um dia, quando você mesmo for posto diante de uma escolha assim, a ache doce como mel!"

Wei Feng apenas se lançou adiante, deixando toda a luz do sol para trás.

"Não preciso da sua bênção. Quando eu tinha cinco anos, já fui escolhido assim."

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