PinSuGe

Capítulo 26: Fogo vivo

Roaming the Heavens·Capítulo 26 de 70·~5 min de leitura

Atualizado: 2026-08-01 15:06

Ler em:EnglishEspañol

Advertisement

A névoa não podia engolir aquela luz carmesim. Zhao Yan mal se pusera de pé quando a maré de fantasmas se lançou sobre ele.

E Du Hu chegou.

Nem precisou se mover. O sangue vital cru que rolava dele dispersou os espectros como palha diante da chama.

Du Hu agarrou Zhao Yan pelo colarinho e o arrastou para Ling Chuan. Os três irmãos mais velhos tinham o coração na garganta após aquela garra terrível, mas Zhao Yan não parecia em nada um homem ferido. Gritou furioso: «Ei! Ei! Eu posso andar sozinho!»

Du Hu o ignorou. No meio do caminho, arremessou o vociferante Zhao Yan para Ling Chuan, girou, e cravou um punho envolto em sangue vital no fantasma de ira.

Deixemos de lado Ling Chuan pegando Zhao Yan no ar. Considerem o punho.

A arte de boxe de Du Hu não era nada especial — recebia pouco respeito até na Academia Externa. Mas em suas mãos se tornava outra coisa. Selvagem. Este golpe não procurava uma abertura. Encontrava a grande garra do fantasma de frente, força contra força, ataque contra ataque. Ferro.

O punho envolto em sangue encontrou a garra negro-esverdeada e se manteve.

Jiang Chen piscou de novo. Um lampejo de espada, e o outro olho do fantasma explodiu.

«Recuar!»

Jiang Chen golpeou e fugiu. Du Hu saltou atrás. Cego e furioso, o fantasma agitava suas garras, remexendo o ar ao redor.

Quando sua fúria minguou, Jiang Chen se lançou de novo. Sua espada traçou um arco preguiçoso, desceu como uma folha que cai, e tocou a garra direita do fantasma — quase em silêncio. No instante em que o aço encontrou o negro-esverdeado, guinchou.

A terceira forma assassina da Arte do Alvorecer Violeta. Sua essência era o fio.

Um golpe, e a garra caiu.

Jiang Chen já se retirava enquanto golpeava. O fantasma cego se lançou ao ar vazio — e Du Hu, ardendo como uma tocha, ergueu-se atrás. Mão esquerda sobre a direita, braços como um malho, descarregou ambos sobre o crânio da criatura.

A baliza de sangue vital odiava os espíritos por natureza. Este golpe era outra coisa. Os punhos envoltos em sangue estouraram a cabeça do fantasma como um melão maduro.

A sujeira negro-esverdeada salpicou Du Hu antes que o sangue vital a queimasse. O corpo decapitado caiu. A luz carmesim sobre Du Hu morreu, e seu rosto ficou branco como papel.

Jiang Chen esteve ao seu lado de um salto, segurando-o. «Irmão Hu—»

Sangue vital. A raiz do corpo. Jiang Chen reunira essência do Dao desde o sangue vital. Tudo o que Du Hu acabara de gastar, cada momento, fora se queimar vivo. E ele não era um verdadeiro artista marcial — não podia conter tanto sangue. Esta luta lhe custaria cinco anos de recuperação. Cinco anos no início do caminho, os anos mais preciosos de todos, com o declínio da velhice esperando no fim. Um passo lento, todos os passos lentos. Talvez jamais cruzasse para o transcendente.

E Du Hu não hesitara. Nem um instante. No alento de uma decisão de vida ou morte não há tempo para calcular — e as escolhas feitas sem pensar são a prova mais verdadeira do coração de um homem.

«Coisa pequena.» Du Hu firmou o alento, reuniu um pouco de força e empurrou Jiang Chen. «Não estou tão velho que não possa andar. Vamos — o centro vai ser pior.»

A preocupação de Ling Chuan era evidente, mas não era momento para palavras. Carregou Zhao Yan nas costas, recuperou sua espada do cadáver e tomou seu lugar ao lado de Du Hu, em silêncio.

Ele também queimara um pouco de sangue vital — não o bastante para ferir seu alicerce. Ainda tinha força para arriscar.

Jiang Chen era o único em plenas condições. Manteve-se leve, pronto para golpear a qualquer momento, e caminhou à frente com a espada desembainhada. Não se ofereceu para carregar ninguém.

Só Zhao Yan continuava reclamando: «O irmão mais velho é o atencioso. Du Hu, idiota, me carregando como um saco de grãos — que espetáculo! Se a senhorita Miao souber disso, minha reputação galante ficará arruinada!»

Miao Qing era a beleza reinante da Torre dos Três Perfumes, a cortesã mais famosa de Maple City. Zhao Yan jogara mais de mil taéis à sua porta e nunca conseguira nada.

Du Hu não disse nada. Não por falta de pragas — simplesmente não tinha alento de sobra.

«Basta», disse Jiang Chen, irritado. «Aqui não há nada além de fantasmas sem mente e fantasmas de ira enlouquecidos. Quem sobra para ver sua "reputação"?»

«Quem sabe?» Zhao Yan se reanimou, gesticulando com grandeza das costas de Ling Chuan. «E se houver uma garota fantasma bonita escondida por aí, me observando? Foi-se um romance perfeito — Du Hu pode me compensar por isso?»

Du Hu quase se levantou do leito de morte para esmagar o tagarela. Ling Chuan se adiantou, cutucando para cima com o punho da espada. Zhao Yan ofegou e calou.

* * *

Atrás do muro espesso de névoa, no centro de Little Grove — o palácio do meio da Formação dos Nove Palácios — um grande vórtice girava.

O que quer que estivesse ali se fora. O redemoinho silencioso consumira tudo. Só restava o vórtice, seu coração um negro tão puro que parecia beber os olhos de quem olhasse.

Junto ao vórtice estavam quatro cultivadores, de alento longo e essência do Dao plena. Túnicas negras. Olhos à frente.

Diante do vórtice, onde uma casa ficara reduzida a escombros, um muro de tijolos ainda se erguia.

Uma mulher de vermelho se recostava nele, lânguida.

Estava envolta do pescoço aos tornozelos, e no entanto a promessa dela era enlouquecedora. Em sua mão, um espelho oval mostrava — não seu próprio rosto, mas a Formação dos Nove Palácios, os cultivadores lutando contra os fantasmas de ira dentro dela.

«A leva atual de discípulos da Academia de Maple City não é grande coisa.» A mulher de vermelho fez beicinho. «Aqueles poucos movimentos de espada foram decentes, isso sim.»

Guardou o espelho. «Bem. Acabou o tempo. Se eu soubesse que seria tão fácil, teria dormido um pouco mais.» Bocejando, deslizou para o vórtice. «Que sono...»

Só diante do vórtice seu rosto ficou sério. Endireitou-se e fez uma reverência formal. «Aguardamos o Ancião.»

Os quatro cultivadores de túnicas negras se curvaram com ela.

Da névoa saiu um ancião, cabelo branco, rosto enrugado como casca, olhos leitosos e nublados, costas curvadas, passos arrastados.

A cada passo, suas costas se endireitavam um grau. Sua presença inchava.

Não fez caso da mulher de vermelho. Olhava o vórtice como um homem olha seu único amor verdadeiro, devoção nua no rosto.

Quando chegou ao vórtice, sua presença se tornara um oceano. Oprimia como uma montanha, difícil de respirar.

A mulher de vermelho se curvou mais.

O ancião dobrou seus dedos anelar e mínimo, polegar, indicador e médio formando um triângulo sobre o coração. Entoou: «No fundo do Rio do Esquecimento, no abismo das Fontes Amarelas. O deus honrado volta ao mundo, iluminando a terra dos homens.»

Então sacou uma adaga de osso, cravou-a limpa em sua própria coroa, e caiu, ainda ereto, no vórtice.

O que achou deste capítulo?

Advertisement