Boom!
No instante em que Lin Zhengren se fechou sobre Zhang Yuan, arte pronta para disparar —
Zhang Yuan explodiu.
Não era uma figura de linguagem. Uma declaração de fatos.
Um relâmpago que vinha se acumulando dentro dele há sabe-se lá quanto tempo detonou através de seu corpo. Seu cabelo ficou em pé. Carvão se espalhou sobre sua pele, faíscas estalando e morrendo sobre ele.
E Lin Zhengren, quase peito contra peito com ele, pegou a explosão em cheio. Foi arremessado através do campo, aterrissando em espasmos e sacudidas.
Sua primeira humilhação da prova.
A arte que fez isso: o Flagelo do Trovão. Uma arte de grau Yi alto.
A parte impossível — o alvo de Zhang Yuan tinha sido ele mesmo.
Quando Lin Zhengren destruiu sua arte de grau Jia no meio da preparação, Zhang Yuan não tentou salvá-la. No mesmo fôlego, ele acionou a arte de lançamento instantâneo gravada em seu Palácio Celestial — apontada para o próprio corpo.
Insano. Imprudente. Se Lin Zhengren não tivesse se fechado imediatamente, ou tivesse sido um fôlego mais lento, Zhang Yuan teria se tornado o primeiro cultivador na história da Prova das Três Cidades a perder para a própria arte. A piada do campo inteiro.
Ele apostou. Venceu. A mais fina das brechas, conquistada.
O Flagelo do Trovão feriu os dois homens. Lin Zhengren era novo no sexto grau, ainda não no pico de seu reino; Zhang Yuan, encharcado de trovão a vida toda, se recuperou alguns fôlegos antes.
Selos voaram dos dedos de Zhang Yuan. Ele aproveitaria aquele momento que se desvanecia e acabaria com isso.
Seu rosto ficou rígido.
Seu Palácio Celestial estava vazio.
A arte não se completaria.
Só então ele notou: a cinco passos, uma erva semitransparente balançava no vento.
Erva que Drena Essência. Uma arte de grau Bing baixo.
Seu efeito: dentro de seu alcance, a essência Dao queimava mais rápido.
Seu defeito: não distinguia amigos de inimigos.
Mas Lin Zhengren tinha aberto o Portão. O céu e a terra o alimentavam com essência sem cessar. Zhang Yuan estava fora do Portão, lutando apenas com as reservas de seu próprio Palácio Celestial.
Um. Dois. Três. O rosto de Zhang Yuan escurecia a cada contagem. Sem que ele soubesse, Lin Zhengren tinha plantado nove Ervas que Drenam Essência pelo campo. Nove — e só a interrupção do trovão tinha impedido que plantasse mais.
Segurando uma vantagem esmagadora, a vitória já à vista — e mesmo assim ele tinha enterrado esse seguro.
Que sujeito constante, cauteloso.
Sob nove ervas, a essência de Zhang Yuan secou.
A brecha piscou e se apagou.
Lin Zhengren se recuperou e se levantou.
"Eu perco", disse Zhang Yuan, rouco.
Ele não tinha caminho para a vitória, e não daria a Lin Zhengren o prazer de vencê-lo.
A Cidade do Bordo perdeu a chance de uma terceira coroa consecutiva. Perdeu a vaga na Academia Estatal do Dao que importava.
Ninguém o culpou.
Jogar o Flagelo do Trovão no próprio corpo. Um homem tão selvagem...
E isso vindo de um cultivador que valorizava sua imagem acima de quase tudo — olhem para ele agora, carbonizado, faíscas ainda rastejando pela pele. Quem podia dizer que ele não tinha dado tudo?
Até o Reitor Dong não disse nada. Ele não podia afirmar que o discípulo tinha se segurado.
Zhang Yuan tinha tido uma chance, afinal. Um vórtice Dao, colapsado, o inundaria de essência naquela brecha — o suficiente para vencer Lin Zhengren.
Mas o preço: ele cairia para o oitavo grau e ficaria lá para sempre.
Ganhar a prova, entrar na Academia Estatal como um cultivador aleijado. Qual seria o sentido?
O juiz anunciou o resultado.
O campeão de quinto ano da Prova das Três Cidades: Lin Zhengren de Riverview, sexto grau, reino do Dragão Ascendente.
No ano que vem, ele seria calouro da Academia Estatal. Um caminho brilhante à frente.
A Cidade do Bordo reivindicou duas coroas menores. Não era uma mostra vergonhosa.
A Cidade das Três Montanhas: nada.
Jiang Chen viu Zhao Tiehe, Yang Xiong, os olhos vermelhos.
Isso era a competição.
...
O Pavilhão dos Três Aromas.
Miao Qing se sentava diante de seu espelho, traçando rouge com o dedo mindinho.
Atrás dela, um velho vestido de preto se ajoelhou e suplicou: "Santa Donzela, aja, por favor! Nossa gente está morrendo lá fora!"
"Eu disse para não serem gananciosos. Vocês cheiraram a Vela e perderam a cabeça. De que adianta suplicar agora? A sombra do Portal Fantasma foi para o Estado de Yun. O que me resta para lutar contra Wei Lin?"
"Fomos tolos. Mas o Mensageiro do Osso também concordou..."
"Ha." Miao Qing sorriu. "Então peça a ele para agir."
O velho só podia bater a cabeça no chão.
"No momento em que eu aparecer, Wei Lin vai me matar na hora. E o Reitor Dong está esperando exatamente por isso. Não temos chance." Sua voz ficou suave, quase petulante. "Eu disse para deixarem a sombra do Portal Fantasma comigo. Nenhum de vocês ouviu."
O velho rangeu os dentes: "O Caminho do Osso levou décadas para construir sua força. Todos aqueles irmãos vão morrer por nada?"
"Basta. Não discuta na minha frente. Eu já armei meus próprios planos — a esta altura a Vela deve ter saído da cidade em segurança." Ela fechou a caixa de rouge. "Quanto àqueles irmãos..."
"Morreram. Então morreram."
...
A tempestade tinha subido e morrido num instante. A defesa tinha sido firme, a coordenação impecável.
O súbito aparecimento da Vela tinha forçado a mão do Caminho do Osso. Ela significava demais para eles recusarem — e Wei Lin e o Reitor Dong tinham tecido a rede antes mesmo de a escolha se apresentar.
O fim estava escrito antes do começo. Cada operativo do Caminho do Osso na cidade morreu.
Isso não significava que a seita tinha perdido. O Caminho do Osso tinha vindo pronto para gastar todos. Se a Vela saísse, o dia pertencia a eles.
...
Avenida Greenwood. O vendedor ambulante com a vara no ombro seguia, sem pressa.
Ele conhecia esta cidade. Tinha previsto a emboscada de Wei Lin — só não tão feroz, não tão completa.
Seus irmãos estavam mortos, muito provavelmente. Ele não estaria.
Ele sabia onde a guarda da cidade concentraria sua força. Podia contornar.
Um beco pequeno adiante, à esquerda. Passando por uma casa de banhos.
Ele tomaria um banho, lavaria a poeira da estrada. O dono, o Velho Song, era honesto; vigiaria a vara. Quem pensaria em procurar a Vela do Além numa casa de banhos? Ele podia até dormir aqui, e sair da cidade quando as coisas se acalmassem.
Ele não ia morrer.
Então viu a cabeça raspada, bem quando virava para o beco.
Um monge, talvez. Mas o rosto era selvagem demais para qualquer templo.
"Sinto um cheiro estranho", disse o homem careca. E lambeu os lábios.
O medo do vendedor o atingiu como uma onda. Ele reuniu essência para lutar.
Seu coração já não estava mais lá.
O mundo caiu numa escuridão infinita.
"Santa Donzela... é esta a vista do fundo do Rio do Esquecimento?", pensou, por fim.