O sino sussurrou: —Miúdo, nada é de borla. Este ancião deu-te a sopa de Mengpo com os amigos dele. E vimo-lo na Segunda Capital com aquele ancião afligido.
Su Yan sorriu, a voz tensa. —Não espantes a serpente. Vejamos o que ele quer.
O sino instruiu Yuan Qi. A serpente captou a ideia e manteve a boca fechada.
Su Yan fez uma reverência educada. —Segundo encontro, ancião. Nunca soube o seu nome.
—Beichenzi. Quem me conhece chama-me assim. —Olhou para Zhu Chanchan, a lutar contra os seus instintos. *Que fragrância. Como se refinou a si mesma num manjar assim?*
—Conhece a história desta cidade?
Beichenzi serenizou a mente. —Diz-se que Diqiu é o túmulo do antigo Imperador Zhuanxu. A cidade cresceu à volta dos guardiões do túmulo. Quanto a porque desapareceu, não sei.
Chegaram ao extremo longínquo da cidade. Além jazia um abismo, sem fundo. Su Yan esteve a ponto de cair nele.
Um grunhido baixo surgiu das profundezas. Algo maciço trepava, incontáveis tentáculos a agitarem-se.
Su Yan ativou o Olho Celestial. Ainda escuro.
Um chicote estalou da névoa. Golpeou a criatura, devolvendo-a às profundezas. O chicote fora delgado, depois inchou até ao tamanho de um dragão.
Uma montanha voou do abismo, a chocar-se no lado oposto.
Zhu Chanchan saltou. —Usa o Olho Celestial. Eu também nunca vi tais coisas.
—Na minha juventude, chamávamos-lhes os Vigilantes do Abismo —disse Beichenzi—. Habitam na névoa. Quando os demónios do abismo trepam, chicoteiam-nos de volta.
—Muitos tentaram explorar o abismo. Quem saltou nunca regressou.
Su Yan observou a névoa. Yun Qian empunhara um chicote similar. Era uma deles? Tinha-o roubado?
*O Abismo de Cangwu e esta sima; serão a mesma?*
Ao entardecer, despedaçaram o deus-rei besta. Zhu Chanchan foi buscar uma panela.
—Não faz falta. —O sino expandiu-se, boca para cima. Encheram-no de água, deitaram a carne, acrescentaram sal e especiarias. Yuan Qi cuspiu um fogo celestial por baixo.
Beichenzi ficou boquiaberto. O sino estava acostumado.
Enquanto esperavam, Su Yan estudou as duas páginas douradas: a adivinhação da Corte Amarela e o prólogo da Sensação Celestial do Dao Primordial. Não precisava do método completo. Só da técnica de circulação do céu grotesco.
Ativou a adivinhação da Corte Amarela. O segredo jazia no baço: câmara da alma, fonte da consciência.
O seu céu grotesco da Corte Amarela abriu-se, com forma de caldeiro de barro, alcançando o qi amarelo primordial. Um salão dourado flutuava no qi; mas a névoa amarela bloqueava a sua vista.
—Cada segredo tem a sua outra margem. Os Seis Segredos são a verdadeira porta à longevidade.
Não se apressou a cultivar a arte da família Yuan. Estudou-a, procurando falhas, tentando completá-la.
A carne estava pronta. Yuan Qi e Zhu Chanchan devoraram-na.
—Seis mil anos desde que comi! —Zhu Chanchan tinha as bochechas inchadas.
Os pauzinhos de Beichenzi congelaram. —Seis mil anos? Mais velha do que eu?
A força de Su Yan regressou ao pico máximo depois da batalha na Capital Divina.
Encontraram alojamento no Palácio Shensi. Yuan Qi enrolou-se entre pilares. Su Yan tomou uma cama. Zhu Chanchan outro quarto. Beichenzi sentou-se junto a um tabuleiro de xadrez, sem dormir nunca.
A luz da lua caía pela janela. Beichenzi olhou para fora e viu um altar no cume de uma montanha, chamas de velas a erguerem-se ao céu. Um grande mestre nuo estava ali, céus grotescos a girarem. Cem mestres nuo o rodeavam. Cem deuses espírito inclinavam-se ante um altar que continha um arco e sete flechas.
—Escritura das Sete Flechas da Cabeça de Prego? —A peça de xadrez de Beichenzi caiu—. Encontraram essa arte perdida?
Era uma técnica de cultivador antiga, especializada em matar almas. Até os imortais podiam morrer por ela.
—A família imperial Li deve ter escavado muitas tumbas de cultivadores.
Observou o grande mestre nuo encordar a primeira flecha. Envolvida em incenso, voou para a câmara de Su Yan. Seis mais seguiram em rápida sucessão. Sem tempo para esquivar.
Beichenzi tremeu. —Uma flecha mata uma possessão da alma. Sete flechas, sete almas. Morrerá completamente.
A sétima flecha voou. O grande mestre nuo convulsionou, a alma a despedaçar-se. Caiu morto.
Beichenzi ficou paralisado. A própria alma do arqueiro tinha rebotado; destruída pela sua própria técnica.
Voltou o Olho Celestial para o quarto de Su Yan. Um resplendor de espírito indestrutível o rodeava, desviando todo o dano.
—Até as Sete Flechas da Cabeça de Prego não o podem matar... —Beichenzi desabou—. De volta a esperar os talismãs.