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Capítulo 21: Stars in Her Eyes

Chi Xin Xun Tian·Capítulo 21 de 81·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-02 15:24

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Como única grande cidade num raio de cem li, Fenglin City não tinha casas baratas.

O presente de Ling He foi um copo d'água sobre um carro em chamas, e Jiang Wang não tinha poupanças de que se louvar. Por sorte, um homem em sua vida nunca tinha passado necessidade de dinheiro.

Carregando Jiang An'an nos braços, foi direto ver Zhao Rucheng.

—Me dê um pouco de prata —disse Jiang Wang, sem preâmbulo.

Zhao Rucheng estava no meio de um duelo de olhares com Jiang An'an. —Quanta? —perguntou, distraído.

—Quanto custa um pequeno pátio perto da Academia Dao? Para minha irmã e para mim.

—Por que comprar um? Viva aqui comigo. Tenho quartos vazios por todo lado. Zhao Rucheng piscou o olho esquerdo para An'an, depois o direito, exibindo um sorriso que ele claramente julgava irresistível. Para ser justo, de fato era bonito.

Jiang Wang olhou para a irmã. —Precisamos de um lar nosso.

Onde dormia não fazia diferença para ele. Mas a An'an acabaram de entregá-la; por mais corajosa que se mostrasse, por dentro era frágil.

—Ah. —Zhao Rucheng coçou o queixo—. Acho que minha família tem algumas propriedades perto da Academia. Deixa eu perguntar.

Virou a cabeça e chamou: —Tio Deng!

Logo entrou um homem de meia-idade, de porte sereno, e curvou-se com preciseza. —Jovem Mestre.

—Temos alguma casa adequada perto da Academia Dao? Desocupe uma e entregue a escritura e o título da terra ao meu Terceiro Irmão.

O mordomo respondeu: —Não precisa desocupar nada. Há três vazias. Qual prefere?

Zhao Rucheng olhou para o lado. —Terceiro Irmão?

Jiang Wang sorriu com doçura para o mordomo. —Desculpe o incômodo, tio Deng. Não precisa ser grande; só eu e a An'an. O que importa é que fique perto da Academia, para eu poder voltar para casa com ela quando quiser.

O mordomo retribuiu o sorriso. —Em Flying Horse Lane, atrás da Academia, há uma pequena casa de um só pátio. Não sei se lhe agradará.

—Vamos ver! —disse Zhao Rucheng—. Só me dê a chave.

Jiang An'an não era dada a conversas e pouco ligava para as pessoas. Mas aquele rosto miúdo, esculpido em pó e jade, a natureza o fizera para ser admirado.

Todo o caminho até lá, Zhao Rucheng não parou de provoca-la.

—An'an, quem é mais bonito, o irmão Rucheng ou o seu irmão Wang? Ai, esqueça; pergunta injusta. Não há comparação.

—An'an, An'an, vê aqueles espetinhos de espinheiro confeitado? Venha aos meus braços e compraremos o feixe inteiro!

—An'an, ai, sabe quanto pesa? Olhe que rechonchuda! Os braços do seu irmão estão quase quebrando. Não deixa o irmão Rucheng carregá-la?

A pequena An'an recebera suas mil palavras em silêncio. Só diante da última incline a cabeça para Jiang Wang.

—Está cansado? —perguntou, bem baixinho.

Jiang Wang sorriu com calor. —Nem um pouco. Poderia carregá-la até o ano que vem sem soltá-la.

O pátio de Flying Horse Lane era bastante bom: uma sala principal, um quarto sul, duas alas leste e oeste. Ninguém morava ali, mas tudo o necessário estava no lugar; com alguns utensílios podia-se mudar naquele mesmo dia. Os quartos eram simples, confortáveis, tranquilos.

Jiang Wang guiou An'an por cada aposento, atento a qualquer sinal de recusa.

—Bom. Este serve. —Voltou um sorriso radiante a Zhao Rucheng, que ainda circulava em torno de An'an tagarelando—. Me dê a chave. Pode ir para casa.

—Já! —Zhao Rucheng, admiravelmente ciente de si, virou-se; então parou no portão para acenar—. Seu irmão Rucheng está indo. Não sinta minha falta demais~

A pequena An'an saiu correndo atrás dele e, frente a todo o brilho daquele sorriso, empurrou o portão do pátio com toda a força até fechá-lo.

Veio a noite, e Fenglin City, barulhenta o dia inteiro, silenciou.

Dentro do Tongtian Palace o pequeno verme de terra completou seu derradeiro salto impetuoso e cuspiu uma essência Dao redonda e inteira na Star-Dou Formation.

Jiang Wang abriu os olhos, encerrando a corrida de meridianos do dia. Essência sobre essência, noite após noite, um mérito construído a gotas; nada se desperdiçava. Com o tempo se tornariam sua formação de alicerce e abririam o caminho para o transcendente.

Só noites tão tediosas tornavam possível o esplendor de vagar pelos azuis céus.

O quarto estava muito silencioso. Jiang An'an jazia em sua caminha, as mãos postas obedientemente fora do cobertor, sem se mover absolutamente.

Como era tão pequena, Jiang Wang mandou fazer uma caminha sob medida para que dormisse em seu quarto; uma grande, uma pequena, frente a frente sobre o chão.

Ouvindo sua respiração, disse com suavidade: —An'an. Ainda não dorme?

Uma vozinha respondeu na hora, com pânico. —Estou... estou dormindo.

Seu nervosismo atravessou-lhe o peito de dor. Uma criança tão pequena, e já lia rostos. Tudo porque ele lhe dissera, antes de sentar-se a cultivar, que dormisse cedo; e agora, acordada, estava assustada.

Uma menina de menos de cinco anos, levada de repente a um lugar estranho, arrancada da mãe. Que não tivesse chorado já a tornava corajosa além da idade. Que terror haveria de encher aquele peito miúdo?

Mas tais assuntos não deviam ser trazidos à tona de novo.

—Mm. Seu irmão também não consegue dormir —disse, ainda mais baixo—. Quer ver as estrelas?

Depois de um tempo veio um «Mm», tão fino quanto o zumbido de um mosquito.

—Então levante-se. —Ergueu-se, acendeu a lâmpada de óleo e foi ajudar An'an a vestir o casaco.

Aquelas mãos, tão hábeis com a espada, mostraram-se desastradas ao cuidar de uma criança.

—Não é assim que se põe, irmão, você vestiu ao contrário...

Jiang Wang retirou as mãos, envergonhado. —Então a An'an se veste sozinha.

Os dois se agitaram um tempo antes de sair pela porta.

A lua clara pendia alta, as estrelas espalhadas em pontos de luz. A luz lunar limpa enchia o pátio vazio, de modo que aquela noite, que deveria ser solitária, se tornou macia e quente.

—Vamos ver as estrelas aqui no pátio? —perguntou An'an, jogando a cabeça para trás.

—Claro que não. Jiang Wang a tomou nos braços, impulsionou-se do chão e saltou para o telhado.

Jiang An'an guinchou, e quando aterrissaram nas telhas sua carinha estava escarlate.

Ele a olhou de cima, um pouco culpado. —Assustei você, An'an?

Ela piscou os grandes olhos, e algo quase como excitação se agitou neles. —Irmão, você sabe voar?

Parecia ansiosa para tentar ela mesma, mas Jiang Wang não tinha vontade de ficar saltando pelos telhados como um macaco. —Ainda não. Quando concluir minhas artes Dao, com certeza sim. E então, para onde a An'an quiser, nós voaremos. O que acha?

—Está bem.

Ele estendeu sua túnica sobre as telhas e deitou-se ao lado, uma mão sob a cabeça como travesseiro. —Vem. Deite-se como seu irmão, e olhe as estrelas.

A pequena An'an deitou-se obediente sobre a túnica, as mãos cruzadas atrás da cabeça, e ergueu o olhar à noite com aqueles olhos redondos e negros bem abertos.

Sobre o vasto pano do céu as estrellas jaziam densas, disputando brilho. Da escuridão sem fim nasciam luzes inumeráveis; o rio do céu corria, guardando sonhos sem conta.

—Aquela é a Ziwei Star. Aquela se chama Yuheng... A Southern Dipper fica ali, olhe, bem ali...

—Estão cintilando. Como se piscassem os olhos.

—Só uma An'an tão adorável quanto a nossa parece uma estrella ao piscar. Seu irmão Yehu —aquele grandalhão barbudo de hoje— quando pisca só parece um sino de boi.

Jiang An'an rompeu em risinhos.

—Você sabe, An'an, que todas essas estrelas estão a centenas de milhões de li de distância...?

—Quanto é cem milhões de li? Mais longe do que de Fengxi Town até aqui?

—Muito, muitíssimo mais longe. Incontáveis vezes. Se houvesse um caminho até as estrelas, uma pessoa comum poderia percorrê-lo do nascimento à morte e contaria apenas como quem acabou de partir.

—Ah? —An'an se escandalizou—. Tão longe?

—Tão longe. Naquela escuridão sem fim cruzam toda essa distância para trazer sua luz a seus olhos; oferecendo-lhe uma beleza que talvez se apagou há dez mil anos.

—Elas são muito boas.

—O pai é uma estrela assim. Nos deixou há muito tempo, mas ainda está lá longe, empenhando-se em emitir sua luz, fazendo-nos companhia com ela. Por isso nunca tenha medo. Seu irmão estará sempre com você. E também as estrelas.

—Irmão. —A voz de Jiang An'an era bem pequena—. Minha mãe não me quer mais, não é?

Jiang Wang silenciou.

Deveria ele dizer-lhe a nua verdade: que ela era um estorvo no caminho da mãe?

Deveria ele denunciar o egoísmo da tia Song, e fazer com que aquela menina odiasse a mulher que a gerou?

Como responder?

Não teve tempo de ponderar muito, porque o silêncio também é uma ferida.

Ao fim virou-se de lado e tomou sua mãozinha na sua, com earnestidade, com doçura.

—An'an é tão encantadora; como alguém não a quereria? É seu irmão quem muito desejou viver com você. Por isso fiz sua tia trazê-la para cá. Quando partiu, chorou amargamente. Tampouco a ela coube na alma separar-se de você.

—Verdade?

A luz das estrelas e da lua jazia sobre o rosto miúdo de Jiang An'an, acariciando os rastros de lágrimas ainda não apagados; era bela como um duende nascido de estrela e lua.

O temor desnorteado ainda não deixara por completo seu rosto. Mas aqueles grandes olhos, de súbito, se acenderam.

O que achou deste capítulo?

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