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Capítulo 24: O Terror Assentado

A Record of a Mortal's Journey to Immortality·Capítulo 24 de 33·~6 min de leitura

Atualizado: 2026-08-08 14:23

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O coelho diante dele continuava a crescer, inchando cada vez mais, com a pele esticada prestes a estourar. Uma sombra de inquietação atravessou a mente de Han Li, e de repente uma lembrança lhe acudiu. Com um grito de alarme, atirou a tigela de porcelana — aquela coisa que já temia como se fosse veneno — para longe, sobre o campo de ervas medicinais, e deu meia-volta para sair correndo. Não parou até ficar a uma boa distância, mais de uma dúzia de zhang do coelho.

Foi quando ia virar o rosto que duas explosões soaram quase ao mesmo tempo, uma atrás da outra. Han Li estremeceu dos pés à cabeça e se virou. Ambos os coelhos, percebeu, haviam estourado de dentro para fora, com o corpo partido em vários pedaços e a carne e o sangue espalhados por toda parte. No lugar onde estavam amarrados abriam-se agora duas covas, e ao redor delas jaziam os restos despedaçados dos animais, com sangue e pedaços de carne salpicando o chão numa cena horrenda demais para se contemplar.

Han Li soltou um longo suspiro e se deixou cair pesadamente no chão. Se tivesse reagido um instante mais tarde, a explosão o teria alcançado. Duvidava que saísse gravemente ferido, mas ficar encharcado de sangue de coelho e coberto de lascas de carne não era exatamente agradável.

Só quando o coração acelerado se acalmou é que se levantou e caminhou até as covas.

Examinou o cenário ensanguentado e depois desviou o olhar para os cacos quebrados da tigela de porcelana espalhados entre as ervas medicinais. Ficou sem palavras.

Esperara que o líquido verde-esmeralda produzisse algum elixir ou remédio maravilhoso. Em vez disso, tinha-lhe dado algo monstruoso. E ainda que fosse veneno, será que os coelhos precisavam morrer de forma tão miserável? Daquele momento em diante, nenhuma força do mundo o faria tocar naquilo de novo. Era simplesmente aterrorizante. Han Li não era alheio aos venenos mortais; sob o ensino do doutor Mo, naqueles últimos anos lhe haviam mostrado inúmeros toxinas que matavam no instante em que tocavam o sangue, e nenhuma delas, no entanto, ceifara vidas de modo tão horroroso.

Era um testemunho da firmeza de caráter de Han Li o fato de que, em meio a semelhante cena, conseguisse manter a calma por um bom tempo antes de decidir, enfim, que era hora de partir.

O meio-dia se aproximava, e ele ainda tinha de entregar ao irmão mais velho Li o remédio secreto que preparara. Todos os fios soltos dali, resolveu, podiam esperar até depois de fazer essa entrega.

Apegando-se a esse pensamento, Han Li não lançou mais nenhum olhar à cena. Deixando cada problema emaranhado para depois, voltou aos seus aposentos, descansou um pouco e então se dirigiu à boca do Vale das Mãos do Espírito com o remédio em punho.

Han Li era pontual ao extremo. Quando chegou à boca do vale era justamente meio-dia, e ali, esperando com impaciência evidente, estava Li Feiyu.

Estava sozinho na saída do vale, vestido com uma túnica nova de brocado branco, embora a longa lâmina que tanto impressionara Han Li ainda estivesse presa às costas. Quando Han Li chegou, o jovem olhava com ansiedade para o vale, com uma leve tensão no rosto.

Mas no instante em que viu Han Li, sua expressão ansiosa se desfez. Um sorriso curvou os cantos da boca.

«Irmão menor Han, você é pontual de verdade! Disse meio-dia, e meio-dia é, no momento exato. Já esperei mais de meia hora.» Li Feiyu falava metade em tom de brincadeira, metade em tom de censura.

«Desculpe-me. Preparar o remédio me tomou tempo demais ontem, e fui dormir muito tarde. Depois me levantei um pouco mais tarde que o habitual e, quando terminei todos os meus afazeres, já era meio-dia.» A resposta de Han Li era metade verdade, metade desculpa.

«Irmão menor Han, o remédio… esse remédio… você terminou?» O irmão mais velho perguntou tão perturbado pela impaciência que as palavras lhe engasgaram na garganta.

Em vez de responder, Han Li sorriu com serenidade. Devagar e sem pressa, tirou de dentro das vestes um embrulho de remédio do tamanho de uma palma e o atirou a Li Feiyu com um movimento de punho.

«Cada vez que for tomar a Pílula que Drena a Medula, dissolva primeiro uma colherada do pó deste embrulho em água fervida fria e engula. Isso deve aliviar o sofrimento que você suporta.»

«Obrigado, irmão menor Han! Obrigado!» O irmão mais velho estava fora de si de alegria. Mesmo uma lasca de alívio daquela agonia era uma bênção incomensurável. A dor de tomar a Pílula que Drena a Medula ainda lhe gelava o sangue. Já experimentara inúmeros remédios contra a dor, e nenhum surtira efeito. Mas já que este irmão menor Han conhecia todos os detalhes do comportamento da pílula e mesmo assim a tomara, talvez seu remédio realmente fizesse diferença.

«Não me agradeça tão cedo; espere até que tenha provado ser eficaz, e então poderá me agradecer. E há mais uma coisa: isto só dá para um ano. Esgotei todas as ervas que tinha em mãos. Quando eu reunir mais materiais, prepararei algumas porções extras para você.» Han Li falou com franqueza, sem fingimentos.

«Não há problema algum. Aqui há um ano inteiro de doses, mais do que suficiente por enquanto. Funcione ou não o remédio, a boa vontade deste irmão menor Han, Li Feiyu não vai esquecer.» Agora que tinha em mãos o que queria, o irmão mais velho recuperou a compostura. Abandonou os ares e reconheceu sem rodeios que estava novamente em dívida com Han Li.

Han Li sorriu levemente e já não disse mais nada, despedindo-se do irmão mais velho para voltar por onde viera.

Com o remédio secreto em mãos, Li Feiyu estava igualmente impaciente por ir para casa e testar sua eficácia, de modo que não insistiu para que Han Li ficasse. Após se despedirem mutuamente, cada um seguiu seu caminho.

De volta ao vale, Han Li foi primeiro ao jardim de ervas medicinais para arrumar as coisas. Varreu os restos do coelho, a terra encharcada de sangue e os cacos quebrados da tigela, jogando tudo para dentro das covas, e depois empurrou terra por cima até enchê-las de novo, de modo que toda a área permanecesse tal como estava antes do experimento.

Satisfeito, Han Li bateu as palmas para sacudir a poeira e deu uma olhada ao redor, por se algo lhe escapara.

Quando o olhar recaiu sobre o lugar onde a tigela quebrara, ele ficou pensativo.

Lembrava-se com clareza de que, ao atirar a tigela, a água limpa e diluída que ela continha se espalhara por aquele pequeno pedaço do campo de ervas, molhando várias plantas. Isso o fez hesitar. Será que aquelas ervas, ao beberem aquela água, não teriam se tornado venenosas? E se um homem viesse a comer tais ervas contaminadas, acabaria como os coelhos? Deveria desenterrar naquele instante aquelas ervas envenenadas? Toda uma fileira de perguntas brotou de repente, sem que ele as buscasse, na mente de Han Li.

Pensou a respeito por muito tempo e finalmente decidiu esperar. Observaria as plantas por mais alguns dias, tratando aquilo como mais um pequeno experimento. Se nos próximos dias as ervas se tornassem de fato tóxicas, ainda teria tempo de arrancá-las.

Tomada essa decisão, e sem ter mais nada para fazer, voltou para sua câmara de pedra a fim de praticar seu cultivo. Esperava que, sobre os grandes ganhos já conquistados, pudesse abrir caminho para patamares ainda mais altos.

Han Li já não pensava muito no que aquela fórmula servia. Praticá-la se tornara puro instinto; sem ela, não saberia o que fazer de si mesmo lá em cima na montanha. Buscar níveis cada vez mais altos da fórmula tornara-se o único objetivo de sua vida.

Depois de uma tarde inteira de prática dedicada, Han Li descobriu, para seu desapontamento, que não era mesmo nenhum gênio. Embora sentisse que a barreira para o quarto nível não era mais espessa que a ponta de um dedo, não avançara nem um fio de cabelo. Toda a sua tarde de esforço fora em vão.

Não havia como evitar: sem a ajuda do remédio, jamais daria um passo adiante. De outro modo, talvez ficasse preso para sempre no terceiro nível, incapaz de avançar.

No fundo do coração, Han Li começou a ansiar pelo rápido retorno do doutor Mo, e a torcer para que o homem tivesse a sorte de reunir ervas suficientes. Só com tamanha ajuda conseguiria se libertar do aperto que agora o prendia.

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