O coração de Qin Ming disparou. O «caminho selvagem» que lhe haviam dito que nunca funcionaria — tinha finalmente se aberto?
Voltou do ermo com fogo no sangue. O ar de inverno parecia quente. Chutou a mó de pedra do quintal e ela pulou do chão.
Saltou — altura enorme — e varreu a neve da beira do telhado.
Quando exalou, um jato branco disparou como uma lança arrastando névoa, estalando o ar.
Moveu-se pelas formas, revirando a neve do quintal para o alto até que nevava de novo em seu próprio quintal. Um braço varreu lateralmente e cada floco diante dele se estilhaçou.
Seu corpo ardia. Fios prateados se entrelaçavam por seus poros, extraindo suor — purificando. Um tênue brilho o cobriu.
Raro. Mesmo durante a Vida Nova, isto era raro.
Treinou duro. Quando a exaustão finalmente veio, parou.
A Vida Nova era um processo. Ele podia senti-la — a mudança se movendo através dele. Em breve.
Sentou-se no quintal e deixou a neve cair sobre ele. Nenhum frio o tocava agora. Não se parecia em nada com a sequela de sua doença, quando se encolhera sob cobertores grossos numa cama aquecida e ainda assim congelava.
Fechou os olhos. Em sua mente, repassou as formas de alta dificuldade, treinando a própria consciência.
As ondulações prateadas voltaram. Sua respiração mudou — complexa, sem padrão.
A mente guia a intenção. A intenção move a respiração. O brilho em sua pele se avivou.
O quintal ficou imóvel. A neve o cobriu como uma segunda pele.
Esvaziou a mente. Sem pensamento, sem desejo.
Quando a luz prateada finalmente se apagou, abriu os olhos. Podia sentir — força nova e vigorosa, germinando no fundo de seu corpo.
Ergueu a mó de duzentos jin, sustentou-a, baixou-a suavemente.
«Dois dias», disse a si mesmo. «Talvez menos.»
Então a fome bateu como um martelo.
Ferveu sopa de cogumelos. Nozes, amêndoas, castanhas para a refeição principal. Tâmaras vermelhas secas e espinheiro como acompanhamento. Comeu até a comida acabar.
Descansou. Depois treinou de novo. Movendo-se como um arco solto, estalando como trovão, neve rodopiando. Vitalidade se acumulando.
Comeu quando teve fome, dormiu quando esteve cansado, treinou quando se recuperou. Da Noite Rasante até a Noite Profunda, seu corpo pulsou com vida.
Antes de dormir, lavou-se com água gelada. Sem frio. Seu corpo era magro, músculo duro, linhas limpas. O cabelo negro e úmido pingava sob a luz das pedras-sol. Sua pele reluzia. Parecia uma arma.
Dormiu fundo e sem sonhos. A Vida Nova o consumiu mesmo durante o sono.
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Manhã. Comeu sete vezes.
O desenvolvimento secundário exigia combustível. Mas até comida boa ficava tediosa na sétima porção, e seus estoques minguavam.
«Sou um poço sem fundo?» Encarou o saco quase vazio. «Três dias. Foi só o que durou.»
Não podia parar os exercícios. Parado como uma montanha, golpeando como um falcão. A luz prateada crescendo.
Caminhou até a mó e tentou levantar as duas pedras — a de cima e a de baixo juntas. Puxou. Elas saíram do chão.
Lu Ze entrou pelo portão e congelou.
«Xiao Qin...?»
Seu queixo caiu. Ontem lamentara que Qin Ming estava desperdiçando a janela de ouro. Hoje o garoto estava levantando a mó combinada.
Liang Wanqing veio do quintal ao lado e ficou em branco.
«Igual ao Er Bingzi», disse Lu Ze. «Vida Nova, e já pode levantar quatrocentos jin.»
«Vida Nova na idade de ouro», soprou Liang Wanqing. «A primeira na Aldeia das Duas Árvores. Em... quantos anos?»
«O tio é o melhor!» Wen Rui saltitava, olhos brilhantes.
«A mudança não terminou», disse Qin Ming. «Ainda está indo.»
Liang Wanqing o encarou. «Nesta região, a Vida Nova na idade de ouro atinge no máximo quinhentos jin depois da estabilização. Xiao Qin — você não estaria chegando a isso...»
«A cidade brilhante», disse Lu Ze. «Dizem que há garotos lá que podem levantar seiscentos.»
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Barulho na rua. Liang Wanqing foi verificar e voltou, o rosto tenso.
«A Vovó Zhou está morrendo.»
Qin Ming a vira dois dias antes — magra, sem sangue, tremendo em seu portão. Ela parecia mal.
«O que aconteceu?»
«Ela quase não tem comido. O corpo dela já era fraco.»
Foram à casa dos Zhou. O filho dela, Zhou Changyu, saíra para caçar semanas atrás e voltara de mãos vazias com o braço destroçado. Neste inverno, toda família estava curta. Com o provedor quebrado, a Vovó Zhou estivera economizando suas próprias rações em segredo — dando a maior parte ao filho e aos netos, comendo só o bastante para continuar viva.
Não contara a ninguém. Hoje encontraram suas provisões — uns poucos inhames moídos, pão duro, escondidos numa cesta de bambu sob a neve. As nozes que Qin Ming lhe dera continuavam intactas num canto.
Ela se matara de fome para alimentar a família.
Zhou Changyu, de trinta anos e ombros largos, ajoelhou-se ao lado do corpo, chorando, esbofeteando o próprio rosto, chamando-se de imprestável. Sua esposa ajoelhou-se ao lado, soluçando.
Qin Ming ficou ali por um longo tempo. Dois dias antes, ela lhe enfiara tiras de inhame seco na mão — suas rações secretas. Para ele.
Foi para casa, encheu um saco com cinco libras de nozes, e trouxe de volta.
«Irmão Qin—» Zhou Changyu tentou recusar.
Qin Ming o pôs em suas mãos e saiu.
Noite adentro, o choro da casa dos Zhou atravessou a escuridão.
Qin Ming sentou-se sozinho em seu quintal negro. Outros tinham família com quem chorar. Ele tinha rostos desbotados que não conseguia segurar na memória — figuras entrevistas de uma infância que mal alcançava. Tinha medo do dia em que desaparecessem por completo.
Ergueu o olhar para um céu que não lhe mostrava nada. A solidão o esmagou como uma pedra.
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Então o ar mudou.
Algo vasto e opressivo o varreu. Cada músculo de seu corpo travou.
Na escuridão impenetrável acima, duas lanternas douradas surgiram. Brilhantes. Alienígenas. Aterradoras.
Vento explodiu do nada. A neve foi arrancada do chão. O telhado de sua casa sacudiu como se fosse se rasgar.
As lanternas douradas cruzaram o céu — olhos. Algo enorme, com asas largas o bastante para encobrir o que quer que houvesse acima, estava passando sobre a Aldeia das Duas Árvores. O vento era sua esteira.
Então se foi. A tempestade morreu tão rápido quanto viera.
Aldeões saíram à rua. Os velhos reconheceram o fenômeno — uma criatura de alto nível em trânsito. Não pararia. Disseram aos jovens que não temessem.
Qin Ming sentou-se de novo e fitou o céu escuro por um longo tempo.
A Noite Eterna cobria tudo, cortava toda estrada para o mundo mais amplo. Ele queria ver o que havia lá fora.
Levantou-se e treinou — as velhas formas, as que lembrava melhor da infância.
Seu corpo pulsou com força nova. Uma tênue luz-névoa brotou de sua pele.
A fome voltou — mais aguda que antes. Comeu cada noz que lhe restava. Não foi suficiente. Quando pensou no esquilo vermelho ou na cabra negra de Yang Yongqing, sua boca encheu de água.
Seu corpo estava mandando um recado. Precisava de carne.
«Vou voltar para a montanha na Noite Rasante.»
Derdera cinco libras à família Zhou. Suas próprias provisões estavam escassas. E a Vida Nova não terminara.