Qin Ming assentiu devagar. Estivera pensando nisso. A Vida Nova era a coisa mais importante — moldava o resto da existência de uma pessoa.
Quinze ou dezesseis anos era a janela de ouro. A Vida Nova nessa faixa trazia os maiores ganhos. Perdê-la, e a perda era permanente.
Mas era difícil. Os melhores da Aldeia das Duas Árvores não tinham alcançado a Vida Nova senão depois dos vinte. Alguns depois dos trinta. De mais de duzentas almas em quarenta e tantas casas, menos de dez tinham conseguido.
«Er Bingzi da aldeia vizinha conseguiu», disse Lu Ze. «Bem na janela de ouro.»
Qin Ming conhecia Er Bingzi — magro, pálido, doentio. Até o cabelo era ralo, da cor de capim morto.
Ficou genuinamente surpreso. Aquele garoto frágil alcançara a Vida Nova na idade perfeita?
«Quando?»
«Faz quase um mês.» Lu Ze disse que depois de sua Vida Nova, Er Bingzi entrou em seu quintal e levantou uma mula preta de quatrocentos jin acima da cabeça. O fracote que não enchia a própria camisa.
«Outra coisa», acrescentou Lu Ze. «Dizem que foi por causa de um parente.»
Um parente distante de Er Bingzi, um que viajava longe, voltara para casa, deu uma olhada no garoto, e disse que era de boa madeira. O homem disse que o corpo de Er Bingzi vinha perdendo vitalidade — por isso parecia doente — mas seu potencial era profundo.
A chave foi uma arte mental de alto grau que o parente trouxe. Er Bingzi trocou para ela, e os resultados foram imediatos.
Qin Ming emudeceu. O destino agia de formas estranhas.
«Depois o homem disse que a base-raiz de Er Bingzi era mais grossa do que ele imaginara. Talvez grossa o bastante para ir longe.»
Lu Ze balançou a cabeça. Um zé-ninguém doentio, e acabara sendo isso.
«Nós não temos manuais de alto grau», disse. «Mas há caminhos viáveis. Xiao Qin, acho que é hora de largar esses velhos exercícios seus.»
Em sua opinião, o corpo de Qin Ming era excepcional — mais forte que o dele, bem acima do normal. Mas esse corpo continuava sem alcançar a Vida Nova. O problema tinha que ser o método de treino. Não podia gerar a força da vida nova, não podia levá-lo adiante.
Tinha dezesseis anos. A janela de ouro não ficaria aberta para sempre.
Liang Wanqing concordou. «Xiao Qin, por que não troca para a Arte de Meditação da Noite Escura do Lu Ze?»
Numa era de Noite Eterna, o ermo era letal. Por isso os manuais básicos de treino circulavam abertamente — feitos para dar a todos uma chance de fortalecer o corpo e sobreviver. Não eram de elite. Não eram raros. Mas funcionavam.
Qin Ming não era teimoso. Sabia que eles queriam o melhor para ele. «Vou tentar com seriedade.»
Lu Ze suspirou. Achava que o velho «caminho selvagem» de Qin Ming o havia atrasado — pior até que a Arte de Meditação da Noite Escura de baixo grau que ele praticava. Mas trocar tão tarde, com a janela de ouro se fechando... o tempo era curto demais.
Balançou a cabeça. «Até um manual de grau médio ajudaria. Um corpo como o seu desperdiçando a idade de ouro — isso sim seria uma verdadeira pena.»
Os manuais que circulavam nesta região eram poucos e comparáveis — o Volume Introdutório da Arte da Vida Flutuante, o Manual da Arte de Meditação da Noite Escura. Todos básicos.
Mas Qin Ming não estava ansioso. Seus anos de treino do «caminho selvagem» tinham mudado. As ondulações prateadas tinham aflorado — tênues, mas reais. Algo era diferente agora.
«Eu sinto isso», disse. «A doença se foi. Meu corpo nunca esteve melhor. Me dê um pouco mais de tempo.»
A Vida Nova significava isto: sobre a base do corpo existente, uma vitalidade crescente brotava, como voltar ao ventre materno. O corpo passava por um segundo desenvolvimento, gerando força nova.
Quem não iria querer isso? Er Bingzi tinha sido frágil. Depois da Vida Nova, podia levantar centenas de libras acima da cabeça. Um salto desses era nada menos que mudar seu destino.
Lu Ze já conseguia partir tijolos verdes e destroçar postes de treino de madeira. Depois que a Vida Nova multiplicasse sua força — quão aterrorizantes se tornariam seus punhos?
«Eu falo sério», disse Qin Ming. «A doença passou, e tudo parece diferente.»
Wen Rui assentiu com a cabeça, o rosto redondo e sincero. «O tio é o mais forte. Quando conseguir, vai caçar uma besta da montanha e a gente vai comer carne. Estou... com fome.»
Wen Hui veio bamboleando, ecoando o irmão. «Tio... forte. Carne.»
Qin Ming riu. «Não precisa esperar.» Tirou o esquilo vermelho da forquilha.
Os olhos de gema negra do esquilo se esbugalharam. O terror tomou seu rosto.
«Está acordado. Melhor ainda — carne fresca é melhor que congelada.» Qin Ming o virou nas mãos.
«É tão bonitinho», disse Wen Rui, os olhos brilhando. Amava animais peludos.
«Ensopado, fica ainda mais bonitinho. Você vai comer bem.»
O menino vacilou. Queria carne desesperadamente. Mas a pequena criatura vermelha, o pelo brilhando como brasas... não conseguia desviar o olhar.
«Rato... bonito», imitou Wen Hui, os olhos refletindo o pelo vermelho do esquilo.
Liang Wanqing notou. «Esta criaturinha tem verdadeiro espírito. Parece entender o que você diz — olha a cara dele, toda franzida de preocupação.»
Qin Ming guardou a faca. O esquilo era pequeno — mal dava uma refeição de qualquer jeito. Se as crianças queriam ficar com ele, tudo bem.
Lu Ze franziu a testa. «Este inverno está brabo. Não há comida sobrando para um bicho de estimação.»
O esquilo olhou fixamente para o saco de couro — todas as economias de sua vida.
Qin Ming tirou um punhado de bolotas. «Estas precisam de processamento antes que humanos possam comer — levemente tóxicas, amargas. Perfeitas para alimentar um esquilo.»
O esquilo nada disse. Apenas encarou, respirando forte.
«Agradeça por estar vivo. E se morder alguém, eu te ponho na panela.» Trancou-o numa velha gaiola de pássaro.
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Resolvida a escassez de comida por ora, Qin Ming se voltou para a questão da Vida Nova.
As palavras de Lu Ze sobre o «caminho selvagem» tinham remexido algo. Lembrava-se vagamente de fragmentos da infância — alguém lhe dizendo que aqueles exercícios tinham uma linhagem mas provavelmente não funcionariam.
Foi ao quintal e começou. As formas que praticara por mais de uma década pareciam diferentes agora. Não havia razão para parar.
Soltou as juntas, esticou os tendões. Torcer, espiralar, virar, girar — suave, circular, ininterrupto.
Lançou-se do chão como uma flecha de ferro, pousou leve como uma andorinha. Parado como um tigre agachado. Movendo-se como quem vadeia lama.
Chicoteou a perna — rápido como um golpe de cauda de cobra — e o ar estalou.
Seguiu o trabalho de respiração. Inalar, exalar, expelir o velho, absorver o novo. Abriu o corpo, e o vento girou ao seu redor, lançando neve ao ar.
A sensação familiar veio. Fios prateados afloraram por seus poros, entrelaçando-se em ondulações, formando uma tênue luminescência em sua pele.
Vapor branco subiu de seu corpo.
O calor inundou sua carne — como chuva caindo sobre terra rachada e sedenta, o chão bebendo com avidez.
O exercício queimava energia, mas ele não se cansava. Ao contrário, ganhava ímpeto. Seu corpo parecia regozijar-se, faminto, sugando a luz prateada.
Seus músculos coçavam. Força se acumulando. A Vida Nova estava chegando?
O calor se espalhou por ele. Precisava correr, derramar a energia. Então correu.
Rasgou o ermo como um meteoro cruzando a escuridão, e não parou até a floresta se avultar perto.
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Longe, na neve, uma mulher alta e esguia estava imóvel. Uma capa de pele negra ondulava com um brilho baço, cobrindo-lhe a garganta, mostrando apenas um queixo fino — frio, misterioso.
Um corvo pousava num arbusto espinhoso ao lado dela. Falou com voz humana: «Vida Nova autoiniciada. E na primeira etapa, já anômala — luz prateada na pele, como luar espalhando ondulações douradas.»
Suas penas brilhavam como metal escuro. Olhos púrpura fixos no garoto distante. «Sua mestra procura um último discípulo. Este pode servir.»
A mulher estava sobre uma rocha. O vento comprimia a capa contra o corpo — curvas marcantes sob o negro. Sua voz foi fria. «Há alguém melhor.»
O corvo arrepiou as asas. «O caminho de sua mestra é incomum. Não perca uma semente que pode crescer alta.»
«Não ser escolhido é perda dele, não minha. Não perco nada. O melhor candidato já foi encontrado.» O vento chicoteou seu cabelo negro sobre o rosto pálido. Ela se virou para as montanhas. «Entrar para investigar é mais importante agora.»