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Chapter 56: A Estocada

Tales of the Pastoral Deity·Capítulo 56 de 60·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-13 12:38

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O rosto do Ancião menino ficou estranho. O qi de Qin Mu, grosso como um braço — a isso ele chamava de "fio de qi"? Não havia fio tão grosso, tão feroz em poder. E o que queria dizer com seu qi ainda não ser forte o bastante? Um moço da Aldeia dos Anciãos Partidos que de uma estocada atravessava um pilar grosso como um balde, e de outra uma pedra de dois palmos — o poder enroscado nesse fio já superava o de não sei quantos cultivadores de espada do Embrião Espiritual!

O Chefe da Aldeia sorriu com suavidade. "Aí está o ponto. Você não dominou o movimento mais básico da esgrima: a Estocada. E se toda a sua força pudesse se reunir neste único ato de estocar?"

Qin Mu não pôde acreditar. "O fio de qi é mole demais. Como todo o meu poder poderia ser solto?"

"Pode-se." O Chefe falou com calma. "Você deve tratar a espada como parte de si mesmo, como a sua própria mão. Levante a mão e imagine uma espada cerrada nela; deixe o indicador e o médio repousarem sobre a lâmina — quando sua mão se lançar, a espada se lançará com ela!"

Qin Mu não entendeu, e no entanto seu fio de qi enrolou mais uma vez a espada fina, sua mão direita se curvando como a agarrar o cabo, indicador e médio estendidos como sobre a lâmina. Ele se lançou, e com um silvo agudo seu fio empurrou a espada, a lâmina fendendo o ar num grito estridente. Sobressaltou-se e se regozijou — pois antes o poder da lâmina alcançava quando muito uma décima de sua força; agora havia dobrado!

O Ancião menino riu. "Este é o Selo da Mão da Espada, a forma inicial do cultivo. E você nem usou o selo, e pôde perfurar pedra de montanha — seu qi é ainda mais rico do que o meu na minha juventude!"

O Chefe balançou a cabeça. "O selo sozinho não pode vencer um mestre embebido na senda por décadas. Mu'er, deixe seu qi brotar de sua palma, e tente mais uma vez."

Qin Mu obedeceu, e nessa estocada se ergueu um redemoinho, dentro do qual a lâmina guinchou, agudo. O canto do olho do Ancião menino deu um saltinho — essa estocada portava uma décima a mais de poder, e o velho aleijado havia erguido Qin Mu com apenas duas frases; algo temível e digno de assombro.

O Chefe ladrou: "O fio de qi não deve envolver a espada, mas criar raiz dentro dela. A espada é parte do seu corpo, e seu qi também — ambos são sua carne e seus ossos! Tente de novo!"

O qi de Qin Mu se fundiu com a lâmina, encharcando fundo nela, e no instante ele sentiu como se tivesse crescido mais uma mão. Nessa estocada sete ou oito décimos de sua força se reuniam na lâmina. O vento uivou, e o toco onde o açougueiro costumava se pôr se partiu limpo em dois com um estalo seco. Qin Mu ficou boquiaberto: sua espada jamais o havia tocado — fora o vento da espada que o partirá em dois!

"Ainda não basta." Disse o Chefe. "Sua força foi para a espada — mas e o seu embrião espiritual? Ele também deve agarrar a espada. Estoque mais uma vez!"

Qin Mu serenou sua mente. Dentro do Tesouro Sagrado do Embrião Espiritual, seu feto interior se movia em compasso com seu corpo, dedos unidos, lançando-se.

"Não está bom! Onde está sua Arte do Coração de Cinábrio? Ela não busca apenas forjar um coração de cinábrio, exige que você plante esse coração dentro da espada! Plante a espada!"

"Ainda não basta, recomece! Plantar o coração na espada — aí está o cerne da Arte do Coração de Cinábrio!"

"Suas pernas unem a terra; use as artes do Coxo para tomar emprestada força do chão. E seus olhos — onde está o olho divino do Cego? Deixe sua espada ganhar também um par de olhos! Você aprendeu o soco do Velho Ma e contemplou um dragão verdadeiro — por que sua lâmina não guarda nada de sua majestade, nada de seu soco que esmaga tudo?"

Uma vez e outra estoqueava Qin Mu, e as exigências do Chefe subiam — sua força, depois seu qi, depois seu embrião espiritual, e em seguida o tecer do soco do Velho Ma e das pernas do Coxo em sua esgrima, cada vez mais difícil. Num abrir e fechar de olhos ele já estoqueava não sei quantas vezes, e o Chefe seguia insatisfeito. A avó Si, o Coxo e os demais olhavam com horror tomando o rosto: a cada estocada lhe saía um grito curto, depois estourava um grande vento, e os estandartes da ferraria, do jardim de ervas e do açougue flamejavam para trás — e com cada estocada brotava uma fenda onde o vento raspava o chão!

A avó Si achou quase inacreditável. "Em tão pouco tempo, o Chefe curvou Mu'er num mestre da esgrima..."

O Chefe balançou a cabeça. "Não lhe ensinei esgrima alguma, apenas o ajudei a amarrar sua força — a soldar num todo as artes que vocês lhe ensinaram. Ele apenas provou a Estocada. Os traços básicos são muitos — o golpe, o enganche, o pendurar, a nuvem, o ponto, o estalo, o bloqueio, o roçar — só quando os polir poderá atravessar o portal. Mu'er, estoque sua faca de açougueiro mais uma vez!"

Mal havia falado quando Qin Mu lançou a faca ao ar, conduziu a espada e estoqueou como um raio. Clang! — a lâmina atravessou limpo a preciosa arma de aço frio e cristal, a ponta espreitando pelo lombo. Faca e lâmina caíram juntas; Qin Mu ficou congelado, sem nunca sonhar que houvesse subido tão longe. O movimento mais básico de toda a esgrima — e reinava com um poder assim!

O coração do Chefe se revolveu; que Qin Mu se apossasse da manha tão depressa também o surpreendera. "Mu'er", disse ele, "você já pode ir ver o Mestre da Sala da Espada."

"Espere!" O Ancião menino ergueu depressa a mão. Um bastão de madeira deslizou do bosque; ele esticou um único dedo para talhá-lo — num abrir e fechar de olhos entalhou uma espada de madeira de três pés. "Vá vê-lo com esta. Não use a verdadeira."

Qin Mu pegou a espada e olhou para a avó Si. "O Mestre da Sala da Espada selou seus outros tesouros sagrados, guardando apenas seu Embrião Espiritual", disse ela. "Se você usar a espada verdadeira, o atravessará até a morte. Vá."

Qin Mu pensou um momento, deixou sua bolsa de espadas e a Espada Shao Bao na entrada, e com a espada de madeira nas costas entrou no edifício de madeira da aldeia vizinha.

O Mestre da Sala da Espada continuava semiajoelhado, a mão sobre sua caixa, o olhar afiado como uma lâmina. "Então você consultou a maior arte da espada sob o céu e voltou? Ataque-me com ela! Quero ver quem ousa se vangloriar tão descaradamente!"

"Não aprendi esgrima alguma", disse Qin Mu. "O Chefe me ensinou apenas um movimento."

O Mestre franziu o cenho, com a voz fria. "Dou-lhe tempo. Vá aprender de novo!"

Qin Mu ficou atrapalhado. "O Ancião de sua Seita do Demônio Celestial disse que eu devia vir até você com uma espada de madeira, não seja que o mate a golpes..."

"Absurdo!" A aura do Mestre estourou, e o próprio ar pareceu cheirar a matança, entretecida com o choque do aço frio — o cheiro de ferro e sangue fundidos em um, a aura que só quem houvesse dado morte a inúmeros homens podia sustentar. As fivelas de sua caixa se abriram por si mesmas, a caixa se escancarou, e as espadas cantaram, uma após outra as lâminas ávidas voando, alegres. Ele partilhava uma única alma com suas espadas — se enfurecia, e elas se enfureciam; se quisesse matar, as espadas matariam. Era o Fanático da Espada, e agora queria matar. As espadas saltaram, e num instante a estância se inundou de luz de espada.

Qin Mu agiu sem pensar — conduziu a espada com seu qi, lançou o Selo da Mão da Espada, e estoqueou. A luz de espada da caixa estourou; um anel tênue, e se fez em pedaços em lascas. Boom! — a imponente compleição do Fanático atravessou a parede às suas costas, saindo arremessado como um raio contra o edifício em frente, com uma espada de madeira cravada no peito.

Qin Mu, sobressaltado, arrancou a espada e examinou — apenas um pouco de sangue se agarrava à ponta. Não fora atravessado. Sobre o edifício ao longe, sua compleição deslizou lentamente para baixo, até aterrissar sentando no pó, os olhos vazios como se ainda não lhe tivessem voltado os sentidos.

"Você está bem?" Qin Mu fez-lhe um aceno.

O Mestre balançou a cabeça, morno. Seu corpo não carregava ferimento grave — mas seu coração havia sido feito em pedaços.

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